Foi tudo negativo na Luz esta noite? Não. Nem no plano coletivo, com o Benfica a conseguiu 16 remates nos 45 minutos iniciais do encontro naquele que foi o segundo melhor registo do presente Campeonato apenas superado pelos 18 frente ao Moreirense, nem no plano individual, com Taarabt a ganhar inúmeras bolas no meio-campo adversário e a ter 100% de acerto nos 43 passes feitos. No entanto, e apesar de todas as oportunidades, as águias não foram além de um nulo na receção ao V. Guimarães. E, com isso, tudo o que era negativo veio ao de cima.

Eles deram a resposta. E ainda não há resposta (a crónica do Benfica-V. Guimarães)

Pela primeira vez na presente temporada, o Benfica, que tinha uma média de 2,5 golos por jogo nos 14 encontros na Luz, não marcou. Pela primeira vez desde 2011/12 que o Benfica não estava duas jornadas seguidas sem marcar. Pela primeira vez desde 2010/11 que o Benfica não terminava a primeira volta a dez ou mais pontos de distância do líder do Campeonato (Sporting, com mais 11). Pela primeira vez desde 2008/09 que o Benfica não registava apenas 34 pontos no final da primeira volta (com 51 em disputa, equivalentes a 17 jogos). Pela primeira vez desde 2001/01 que o Benfica não dobrava a Liga para a sua segunda metade fora do pódio (menos três do que o Sp. Braga).

Pela quarta jornada consecutiva, e depois dos empates com FC Porto e Nacional e da derrota com o Sporting, o Benfica não conseguiu ganhar. Com isso, e apenas em quatro jornadas, viu a diferença para a liderança subir de quatro para 11 pontos. Com 34 pontos à 17.ª jornada, o Benfica 2.0 de Jorge Jesus acaba a primeira volta com menos 14 pontos do que o Benfica 2.0 de Bruno Lage em 2019/20, depois do título em 2018/19. A pior fase da temporada, depois de um período de três jogos seguidos também sem ganhar e a sofrer três golos entre Bessa, Sp. Braga e Rangers na Luz, é demasiado evidente. O que resta agora? “Continuar a trabalhar”.

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“Fomos dominantes, merecíamos ter vencido mas não vencemos. A explicação está na nossa menor capacidade na zona de decisão. Até lá a equipa soube criar, envolver corredores laterais, criar também pelo central e conseguir chegar. Depois não conseguimos marcar. Dos 23 remates, nove cantos e mais de 600 passes não deu nenhum golo. Temos de estar frustrados, chateados e melhorar. Este jogo resume-se à nossa incapacidade para fazer golos. Fomos tentando mexer com avançados para criarem e proporcionarem ocasiões de golo, não aconteceu. Estamos desapontados, porque queremos muito vencer e fizemos o suficiente à exceção da zona de decisão”, disse na zona de entrevistas rápidas da BTV João de Deus, adjunto que voltou a estar no banco como principal.

“Procurámos chegar ao golo. Sentimos que a equipa estava a jogar bem, confiante e a ser dominante, tentando de várias formas mexer com o jogo para tentar finalizar e fazer golos. Infelizmente não conseguimos, é frustrante porque a equipa merecia mais. Onze pontos de distância? É o que é, não há volta a dar. Há que fazer melhor no futuro para ir à procura de encurtar distâncias”, concluiu o número 2 da equipa técnica.

Mais tarde, na conferência de imprensa, e na altura das questões das televisões (com um canal a representar outros dois, algo que tem vindo a ser habitual em tempos de pandemia), João de Deus voltou a “engrossar a voz” perante as perguntas que não estavam diretamente relacionadas com o jogo, nomeadamente a questão do carácter que Rui Costa, administrador da SAD e vice do clube, tinha pedido após a derrota com o Sporting em Alvalade, apontando a determinados jogadores que não foram apontados nem pelo dirigente nem pelo técnico.

“Deixe-me fazer-lhe uma pergunta: se tivéssemos vencido por 4-0 ou 5-0, o que era provável, fazia-me essa pergunta? Tem de perguntar ao Rui Costa a quem é que ele se referia, não a mim. A equipa lutou e merecia ter ganhado, mas nem sempre se conseguem os objetivos. Agora, acusar jogadores de falta de empenho hoje? Os jogadores saíram exaustos, queriam muito vencer, mas falhámos na finalização”, salientou, antes de voltar a mostrar total confiança no trabalho que está a ser realizado apesar dos quatro jogos seguidos sem vitórias.