O mercado português “conseguiu resistir à pandemia”, com o arrendamento a ganhar terreno em 2020, contando com cerca de 43 mil novas casas disponíveis para arrendar, adiantou à Lusa Miguel Kreiseler, diretor-geral da gestora imobiliária MVGM em Portugal.

“O mercado residencial português conseguiu resistir à pandemia e o arrendamento ganhou terreno, com grande pressão sobre as rendas, sendo que em Lisboa e Porto cerca de 15% das casas migraram para o mercado de arrendamento tradicional e, a nível nacional, registou-se um aumento de 67% no mercado residencial, o que representa aproximadamente 43.000 novas casas disponíveis para arrendar”, indicou, destacando ainda que, “apesar de o valor das rendas ter sofrido uma redução significativa, o valor de aquisição dos imóveis subiu ligeiramente durante o ano de 2020”.

De acordo com o responsável, “nos centros comerciais, surgiram desafios sem precedentes que exigem novas respostas no futuro”, defendendo mesmo que, “neste momento, é preciso repensar a natureza e o propósito dos centros comerciais para mantê-los atrativos para os visitantes e rentáveis para os proprietários, através de novos modelos de ocupação”. Em 2020, as vendas deste segmento da MVGM em Portugal caíram cerca de 25%, e o tráfego caiu 30%, revela.

Miguel Kreiseler acredita que “não ocorrerá uma alteração estrutural nos centros comerciais tal como os conhecemos, mas estes espaços, pela sua maturidade no nosso mercado, têm uma extraordinária capacidade de se reinventar e estar na vanguarda da resposta às necessidades”.

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Já no segmento dos escritórios, o ano passado foi “difícil para investidores e para as empresas que ocupavam estes espaços”, tendo o teletrabalho acelerado “a desocupação dos edifícios” o que “levou os proprietários a aceitar ajustes de preços para apoiar os arrendatários”.

Além disso, “neste segmento é expectável que à medida que vão expirando os períodos de arrendamento, os inquilinos procurem reduzir as áreas ocupadas nestes edifícios ou que as transformem em espaços mais adequados às necessidades atuais das suas empresas”, salienta.

Para este ano, o objetivo da MVGM no mercado português “é ser um agente de mudança na transformação do mercado residencial, trabalhando em conjunto com os restantes intervenientes para criar mais e melhores soluções”.

Para isso, a empresa quer apostar em “soluções habitacionais inovadoras, assentes em modelos internacionais de sucesso comprovado, e que contribuam ativamente para a transformação das cidades, como por exemplo as soluções de co-living que são já um sucesso em algumas cidades europeias e que passam pela partilha de casas devidamente preparadas para o efeito”.

Já este ano, revela Miguel Kreiseler, o grupo foi convidado “a gerir um novo portefólio de aproximadamente 50 apartamentos na região da Grande Lisboa”, algo que “se espera poder duplicar ou triplicar ainda durante este ano, fruto da intenção que o proprietário tem de investir no mercado de arrendamento” no país, referiu.

O portefólio sob gestão da MVGM em Portugal inclui espaços como o Saldanha Residence, Campera, Fórum Barreiro, 8 Building, Edifício Burgo, Palácio Sotto Mayor, W Shopping, Ferrara Plaza.

A empresa entrou no mercado português no final de 2019, “tal como em sete outros mercados europeus, através da aquisição do negócio de gestão imobiliária da JLL”, tendo em Portugal, “cerca de 75 ativos sob gestão, incluindo escritórios, imóveis industriais e residenciais, e centros comerciais, com um valor total estimado de 1.100 milhões de euros, e uma área superior a 850 mil m2”, adiantou o mesmo responsável.