A primeira mão da meia-final da Taça de Portugal, disputada esta quarta-feira entre o Sp. Braga e o FC Porto, teve dois cartões vermelhos diretos, um jogador a sair de ambulância diretamente para o hospital e um golo marcado ao 12.º minuto de descontos. As reações foram muitas, de um lado e de outro, e a newsletter diária dos dragões, enviada aos sócios esta quinta-feira, foi a mais recente resposta institucional do clube à arbitragem da equipa liderada por Luís Godinho.

“Desta vez, à segunda vez na Pedreira, não bastou uma expulsão para impedir o FC Porto de ganhar. Desta vez, foi preciso duas para o Braga poder empatar (1-1). E fê-lo 12 minutos para lá dos 90, num jogo — o da primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal — que os dragões disputaram em inferioridade numérica durante mais de meia-hora, depois de uma expulsão absurda de Luis Díaz, severamente penalizado pela lesão grave e fortuita de David Carmo num lance em que não cometeu qualquer falta”, começa por referir o texto, que em seguida lembra que o golo marcado por Taremi ficou “afastado dos holofotes pelos disparates de arbitragem” e porque “Luís Godinho e Hugo Miguel [VAR] brincaram com o futebol”.

“Deixo um aviso: basta! Não provoquem mais, não brinquem mais”. Pinto da Costa critica arbitragem, diz que secretário de Estado “anda morto”

“A expulsão de Luis Díaz, que deixou o relvado num pranto, ajudou-nos a perceber ainda que, ao contrário do que aconteceu no Jamor, quando Kritsyuk cometeu falta dentro da área sobre Nanú (num choque que também conduziu o jogador do FC Porto ao hospital), lances do género não justificam juízo de intenções ou não exigem critério, porque em Oeiras [Cidade do Futebol, onde está o VAR] não houve expulsão. Nem penálti”, acrescenta newsletter. Ainda esta quarta-feira e logo depois do apito final, o habitual resumo que é feito dos jogos do site oficial dos dragões também deixava algumas críticas à arbitragem.

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“Luis Díaz fez uma diagonal da esquerda para o meio e rematou para defesa de Matheus. No momento do remate, David Carmo saiu gravemente lesionado de um lance fortuito e sem qualquer tentativa de agressão do 7 portista, como as imagens televisivas confirmaram, as mesmas imagens a que a Cidade do Futebol teve acesso. No entender do VAR (Hugo Miguel), a ação foi merecedora de expulsão e Luís Godinho concordou. Em lágrimas e depois de muitos protestos de toda a equipa, o extremo foi mesmo forçado a sair”, podia ler-se, num texto que terminava com a frase “não nos vergam”, dita e repetida esta quarta-feira por Pinto da Costa na sala de imprensa do Estádio Municipal de Braga.

Também Sérgio Oliveira, capitão do FC Porto, reagiu às expulsões nas redes sociais e sublinhou a história centenária do clube. “Atenção que 127 anos não são 127 dias! Custou muito a todos que por aqui passaram e a todos que diariamente sofrem para elevar o nome deste clube pelo mundo. Temos muita história e vamos continuar a fazer história. Cá estaremos para lutar até à exaustão. Para mim é e será sempre um orgulho vestir esta camisola”, escreveu o internacional português.

Ora, ainda nas horas que se seguiram ao final do jogo, surgiu a confirmação por parte do Sp. Braga de que David Carmo sofreu uma rutura bimaleolar do tornozelo direito e vai parar, no mínimo, durante quatro meses, o que significa que não volta a jogar esta temporada. Nas redes sociais, o central de 21 anos que esteve no radar do Liverpool no mercado de inverno escreveu: “Já passei por muito e isto é só mais um obstáculo. O meu passado fez de mim um soldado da vida”. Entretanto, a através das imagens televisivas, foi também possível perceber a justificação apresentada por Luís Godinho à equipa técnica do FC Porto, logo depois de expulsar Luis Díaz: o árbitro parece dizer “a questão é que ele partiu o pé”.

De acordo com o MaisFutebol e depois de sair do relvado em conjunto com a equipa, Sérgio Conceição dirigiu-se ao balneário do Sp. Braga para pedir desculpa a Carlos Carvalhal pela reação mais intempestiva que teve a seguir ao apito final, quando caminhou em direção ao banco dos minhotos e gritou “se fosse 11 contra 11, levavas cinco ou seis”. Na habitual roda que o FC Porto forma depois dos jogos, o treinador levantou a voz e motivou a equipa, ao gritar: “Nós vamos à final!”. Durante a noite, a sede da Liga de Clubes na cidade do Porto foi vandalizada, aparentemente por adeptos afetos ao FC Porto — na parede, surgiram pintadas as frases “é preciso matar um?” e “não matem o futebol”.

Sérgio Conceição e uma clara sensação de déjà vu em tons de vermelho (a crónica do Sp. Braga-FC Porto)