Um documento secreto do Departamento de Estado norte-americano revela que a administração de Donald Trump decidiu cortar seis em cada dez funcionários consulares em Havana, no início de 2018, sem que tivesse qualquer prova que incriminasse o regime cubano pelos misteriosos “ataques sónicos” na capital do país.

O relatório do Departamento de Estado, divulgado a pedido do Arquivo de Segurança Nacional — um think thank sem fins lucrativos —, considera que a resposta da administração americana aos incidentes de 2016 e 2017 ficou marcada por “má gestão, falta de coordenação e não cumprimento de procedimentos”, de acordo com o Washington Post e outros meios de comunicação social norte-americanos. Mas não só — “caracterizou-se pela falta de liderança de alto nível, a ineficácia das comunicações e a desorganização sistémica”.

Entre os problemas assinalados, o documento põe em causa a atuação de Rex Tillerson — secretário de Estado durante pouco mais de um ano, até março de 2018 — por deixar vazios vários lugares-chave na embaixada. Não apontar um alto funcionário para ficar com a “responsibilidade geral” foi mesmo considerada como a “falha mais significativa na resposta”.

Ataque sónico? Funcionários da embaixada americana em Cuba com sintomas misteriosos

É ainda apontado o dedo à “CIA, por não ter partilhado informação com o Departamento de Estado. Este “excessivo secretismo” atrasaria a coordenação de uma resposta adequada, referem os jornais.

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Cerca de 40 pessoas, entre diplomatas e respetivas famílias dos EUA e do Canadá, reportaram tonturas e dores agudas nos ouvidos depois de terem sido expostos a sons que não conseguiram reconhecer. Está, no entanto, ainda por saber o que motivou essas lesões. “Desconhecemos o motivo destes incidentes, quando começaram realmente, ou quem o fez”, aponta o relatório interno, escrito em 2018.

Em 2017, Trump não teve dúvidas em atirar responsabilidades para o regime então liderado por Raul Castro e no início do ano seguinte mandou retirar 60% do pessoal da embaixada de Havana.