A Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, a Santa Casa da Misericórdia de Ponta Delgada e a APRODAZ apresentaram ao Governo Regional dos Açores uma proposta de fusão do ensino profissional destas três instituições.

Segundo o presidente da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, Mário Fortuna, em causa está um “projeto de longa data destas três instituições, de fusão e racionalização do seu funcionamento e da oferta letiva que fazem no âmbito da formação profissional”. O representante dos empresários, que falava aos jornalistas, depois de ter reunido com o presidente do Governo Regional dos Açores, o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Ponta Delgada e o dirigente da APRODAZ, explicou que a iniciativa já tem alguns anos, mas “não foi possível concretizar até agora” por falta de financiamento comunitário.

De acordo com Mário Fortuna, o projeto chega a um universo de 500 a 600 alunos e 100 docentes e “visa também a requalificação de instalações, para que o ensino profissional, também nestas áreas, tenha um nível de dignidade, de qualidade de instalações e de qualidade de serviços comparável com o resto do sistema de ensino, porque, caso contrário, os alunos do ensino profissional vão achar que são menos dignos do que os outros”.

Mário Fortuna defendeu ainda a criação de “uma rede bem estruturada, uma rede bem pensada, que vise levar, de forma capilar, a formação aos recantos dos Açores”.

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Aquilo que sugerimos é que haja uma estratégia regional, mas que não esqueça a realidade de ilha e a realidade de concelho, porque, seguramente, que em vários sítios vão haver necessidades diferentes e é preciso responder a todas estas necessidades”, acrescentou.

O responsável defendeu também que, agora que se aproxima um novo quadro comunitário de apoio, e depois de serem conhecidos os números de abandono escolar nos Açores, que atingem “níveis três vezes superiores ao nível nacional”, deveria ser feita uma reflexão que inclua as escolas públicas e privadas de formação profissional.

O objetivo aqui é fazer uma abordagem nova, renovada, relativamente ao ensino profissional, ao papel do ensino profissional, que tem de ser bem claro em relação ao ensino oficial, porque são duas realidades distintas e há perfis de alunos, claramente, para as duas realidades”, destacou.

Também em declarações aos jornalistas no final da reunião, o presidente do Governo Regional, José Manuel Bolieiro, considerou ser “estratégica, relevante e prioritária a expressão da qualificação profissional e da racionalização dos meios”.

Encaramos como muito positiva esta proposta que as três instituições propõem, através de uma fusão, de racionalização dos seus instrumentos de atuação na política formativa”, reforçou.

José Manuel Bolieiro salientou ainda o “entendimento que o Governo Regional tem da importância de criar um fórum regional de qualificação profissional, que permita fazer uma reflexão com todos os atores relevantes sobre o futuro da qualificação profissional dos Açores”.

O líder do executivo de maioria PSD/CDS-PP/PPM considerou também que a “formação e qualificação profissional devem ter primeiro uma causa e depois uma consequência”, sendo que a “causa é a procura do mercado de trabalho de trabalhadores com formação específica, e é com base no conhecimento desta procura do mercado” que se deve “adaptar a oferta formativa”.