Paco García tornou-se notícia mas o principal objetivo de Paco García era tudo menos ser notícia. Expliquemos: este sábado de manhã, saiu da sua casa, em Tenerife, dizendo à família que ia apenas fazer mais uma sessão de treino nas piscinas ao pé da sua residência quando na verdade se preparava para participar na segunda jornada da Liga de Outono Masters. Chegou, bateu três recordes nacionais na categoria dos 95 anos, completando aquilo que ninguém tinha feito numa competição oficial. Às escondidas, claro – depois de ter sofrido um pequeno enfarte no mês de dezembro, não queria preocupar as pessoas mais próximas por entrar na prova.

Como conta a Marca, o espanhol nascido em Las Palmas, que se mudou para Tenerife com 82 anos após ter ficado viúvo para estar mais perto da filha, já tinha vários recordes nacionais na categoria acima dos 90, entre estilo livre e bruços, todos conseguidos entre 2016 e 2017. Agora, subiu para a categoria dos 95, completando os 50 metros livres em 1.22,80, os 50 metros costas em 1.46,73 e os 100 metros costas em 3.45,75, tendo direito a tocar o sino na Piscina Municipal Acidalio Lorenzo, em Santa Cruz de Tenerife, para assinalar os novos registos, depois de ter chegado a participar em competições internacionais como o Mundial de Masters de 2017, em Budapeste.

“Como tem sido a minha segunda-feira? Normal porque ainda ninguém tinha sabido de nada… Treino três vezes por semana, durante uma hora, e estou sempre ansioso para que chegue esse momento porque me faz sentir com mais energia. Primeiro treino costas, depois faço um pouco de croll, depois volto às costas. Gosto de variar mas a hora que temos marcada passa num instante sem parar. Tenho também estado a treinar alguma coisa de bruços porque quero fazer algo nesse estilo no futuro. Costumava nadar mais na praia, em Las Palmas, mas quando abriram uma piscina aqui ao pé da minha casa em Tenerife tudo mudou porque se tornou uma forma de vida, fiz novas amizades e conheci muita gente através do Tenerife Masters”, contou à publicação após mais um treino.

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“O meu pai sempre foi uma pessoa muito ativa, daquelas que não querem ficar sentadas no sofá. Sempre gostou de natação mas entrou apenas na parte de competição quando se mudou para Tenerife, com 82 anos. É uma forma de se manter ativo e feliz. Estes meses de pandemia e confinamento foram muito duros para ele e agora ainda existem algumas restrições. Recorde? Não sabíamos… Não nos quer preocupar depois de ter sofrido um pequeno enfarte em dezembro, só nos disse que ia nadar mas não tínhamos ideia de que ia participar numa competição, muito menos que tinha batido três recordes de Espanha”, comentou a filha, Pino García.

O feito mereceu também outras homenagens mais locais, com o presidente da Federação de Natação das Canárias, José Maroto Artiles, a entregar uma placa comemorativa por aquilo que descreveu como “uma larga carreira desportiva” e por ter conseguido entrar no livro dos registos para atletas com mais de 95 anos.