O tempo dos grandes relógios e fatos da Tom Ford já lá vão, agora é só camisolas lisas brancas e alpercatas. A comparação pode ser inusitada mas quem a faz, fá-la com sentido. “Agora é assim que os novos super-ricos preferem viver”, conta ao The Telegraph Hamish Brown, das empresa de decoração de interiores 1508 — que se especializa em projetos de luxo no Reino Unido, EUA e Emirados Árabes Unidos.

O sentido desta frase não se esgota nas suas palavras, pelo contrário. Ela pretende mostrar a volta que o mundo do luxo deu em termos de decoração: a opulência deu lugar à “vida saudável”. O mesmo Hamish conta que a sua empresa, nos últimos tempos, instalou uma série de “banhos de vitamina C” nos seus projetos, um sistema que supostamente purifica a água de forma a melhorar a qualidade do cabelo e da pele de que se banha com ela. Isto é um dos exemplo que mostra a forma como os caprichos milionários mudaram de tom e passaram a privilegiar o bem-estar em vez da sumptuosidade pura e dura. Os complexos sistemas de iluminação interior que imitam o ritmo circadiano também são exemplo disto. Mas há mais.

Neste momento o decorador está a supervisionar um projeto de 10 mil metros quadrados no topo de um edifício em Londres onde a principal preocupação do futuro inquilino é a sala de meditação, que foi estrategicamente posicionada de forma a receber diretamente o sol matinal. Quem são as pessoas que pedem este tipo de coisas? Milionários mais jovens, quase sempre associados a negócios online e que têm mais sensibilidade par assuntos relacionados com a saúde física e mental — quer sejam londrinos, islandeses ou kuwaitianos, como prova a lista de clientes desta 1508.

[É assim que funcionam os banhos de vitamina C]

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Falamos de pessoas que não olham a limites financeiros para garantir que a(s) sua(s) casa(s) estão apetrechadas com tudo o que permita um estilo de vida mais saudável, segundo os seus parâmetros — que muitas vezes são apenas alicerçados em modas ou em ideias distorcidas de comportamentos saudáveis. Mas isso é outro tema.

Na lista de pormenores inusitados que mais têm pedido encontram-se caixas especiais para carregar o telefone que eliminam qualquer possibilidade de radiação, por exemplo, mas também , adegas de chá (em vez de uma clássica garrafeira) ou até controlos de temperatura separados em cada lado da cama de um casal. E fenómenos deste género verificam-se não só nas residências destas pessoas como também nos hotéis por onde costumam passar.

Dentro destas extravagâncias há duas áreas que se destacam: o sono e a alimentação. Uma grande tendência neste momento são os pequenos quartos associados a áreas de trabalho como um escritório ou um estúdio. A ideia é que quem tiver de ficar a trabalhar até mais tarde ou a conferenciar com pessoas que estejam num fuso horário diferente não precisa de incomodar o parceiro que entretanto já foi dormir — basta deitar-se nessa outra divisão. As cozinhas, por exemplo, também estão a adquirir uma grande importância, muito por culpa, também, da maior atenção mundial que se tem dado à gastronomia.

Jardins e hortas interiores e privadas são outra das grandes tendências de decoração entre os mais ricos. D.R.

Espaços de cozinha passam então a ter algumas funcionalidades semelhantes às de uma zona de estar. Para a parte da confeção de alimentos também há inovações, mesmo para clientes que não sendo grandes cozinheiros profissionais pedem items como placas de indução em titânio, que permitam aquecer por igual qualquer panela ou frigideira que seja colocada em qualquer zona da dita superfície, ou até abatedores de temperatura (máquinas de refrigeração que em ambiente profissional são usadas para baixar rapidamente a temperatura de qualquer ingrediente ou preparado. Até já começam a ser vendidos — em Hong Kong, por exemplo — apartamentos que incluem um talhão de terra no topo do edifício, por exemplo, onde o morador poderá plantar os seus próprios vegetais e ervas aromáticas.