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As alterações que a câmara de Viseu quer fazer ao mercado a céu aberto da Praça 2 de Maio — projetado na década de 90 por Siza Vieira e António Madureira — estão a deixar indignados vários arquitetos, historiadores e outras personalidades, que escreveram uma carta aberta a considerar a iniciativa da autarquia, que visa cobrir todo o mercado, como um “grave e inadmissível atentado patrimonial e urbanístico”.

Entre os subscritores encontram-se os arquitetos Eduardo Souto de Moura, Carrilho da Graça, Aires Mateus (três dos maiores nomes da arquitetura nacional), mas também José Mateus e Francisco Keil Amaral, que se juntam ao historiador Vítor Serrão, à diretora do Mosteiro dos Jerónimos, Dalila Rodrigues, entre várias outras personalidades da arquitetura, da história da arte, do património, e da gestão e programação cultural.

Os subscritores aceitam que há “imperativos de revitalização do centro da cidade de Viseu, como de qualquer cidade com significativa trajetória histórica”, mas consideram que “não podem afetar de modo lesivo existências arquitetónicas e componentes patrimoniais” e falam mesmo num “desrespeito despudorado pelo trabalho autoral e pelo património da cidade”.

Nesta carta aberta, acusam o atual executivo camarário de ignorar os arquitetos Siza Vieira e António Madureira, ao contrário do anterior presidente da câmara, que “solicitou alterações pontuais ao projeto executado, designadamente uma solução para a cobertura do recinto do mercado”. E lembram que depois de ter obtido uma proposta por parte dos arquitetos, a Câmara Municipal de Viseu não a executou.

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Os signatários do documento exigem ainda o direito à divulgação pública e à discussão alargada do “projeto de alteração/cobertura da Praça 2 de Maio”, desenhado a posteriori por Siza Vieira.

O movimento põe ainda em causa o resultado do concurso para a revitalização da praça, que foi lançado em 2015 pela Câmara Municipal de Viseu, entendendo que o procedimento foi “incompreensivelmente impositivo a determinar, a priori, a solução a adotar”. Foram apresentadas publicamente três propostas vencedoras para a cobertura, mas o município adotou a proposta classificada em segundo lugar no concurso público, sem qualquer debate ou consulta pública.

Por fim, os subscritores da carta sublinham que é u, “dever de cidadania denunciar — e não admitir — que mais de 4 milhões de euros do erário sejam gastos numa obra profundamente atentatória do património da cidade”.