Pizzi fez de Isaías, Saka fez de Kevin Campbell. Em novembro de 1991, na antiga Luz, o Benfica também abriu o marcador na primeira mão da eliminatória europeia contra o Arsenal, na altura na Taça dos Campeões Europeus, e acabou por sofrer um golo escassos minutos depois de marcar. Na altura, uma semana depois e no velhinho Highbury, Isaías bisou, Kulkov também marcou e o Benfica acabou por eliminar o Arsenal. Uma história que, com toda a certeza, os encarnados vão querer agora repetir.

A equipa que cortou avenidas no dia em que ganhou ruas (a crónica do Benfica-Arsenal)

A equipa de Jorge Jesus voltou a sofrer golos na Liga Europa — sofreu em seis dos oito jogos que já fez esta temporada na competição — e mantém a média de um golo sofrido por partida no total da temporada, em todas as provas. Os encarnados voltaram a sofrer golos contra uma equipa inglesa, algo que aconteceu nas últimas 14 partidas, e não conseguem bater um clube de Inglaterra há sete anos, desde que bateram o Tottenham. Ainda assim, as probabilidades históricas jogam a favor do Benfica: em 67% das ocasiões em que empatou 1-1 em casa nas competições europeias, os encarnados acabaram por conseguir qualificar-se para a fase seguinte.

Assim, a equipa de Jorge Jesus continua invicta nesta edição da Liga Europa, com três vitórias e quatro empates, e tem 19 golos marcados — o terceiro melhor ataque de sempre do clube na competição — e 10 golos sofridos — a pior defesa do clube na prova desde 2009/10. Na flash interview que deu à SIC Notícias, o treinador encarnado reconheceu que este não foi “um grande resultado”. “Isso era ganhar ao Arsenal. Jogaste com o Arsenal, não jogaste com… Não vale a pena comparar nomes. Foi pena. Marcámos primeiro e no nosso melhor período sofremos o golo. A equipa não anda com sorte. O Pizzi corta a bola, bate na cara do Julian [Weigl] e isola o avançado. A equipa foi muito forte defensivamente, muito bem organizada, coletivamente esteve muito bem e percebeu os movimentos e a forma de jogar deste Arsenal. Fomos dividindo o jogo, em algumas partes o Arsenal teve mais posse mas também consentimos isso. O futebol tem momentos que nada têm que ver com a lógica. Na segunda parte estivemos melhor do que na primeira e depois do primeiro golo poderíamos e devíamos ter segurado o resultado. No contra-golpe poderíamos surpreender mas a igualdade é um resultado justo”, explicou Jesus.

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Numa entrevista em que pediu silêncio no túnel de acesso à zona mista — disse “isto é alguma coisa? Eu não falo com este barulho” e ainda soltou um take it easy? em inglês –, Jorge Jesus ainda comentou a estreia de Lucas Veríssimo. O central foi um dos três centrais lançados pelo treinador, ao lado de Otamendi e Vertonghen, mas acabou por sair já na segunda parte com alguns problemas físicos. “Demonstrou, no primeiro jogo que faz, que é um excelente jogador. Fisicamente ainda não estava pronto e eu já sabia, por isso teve de sair. Se tivéssemos de jogar com uma estrutura de dois [centrais] tinha ainda mais dificuldades. É muito forte por cima, tem boa saída de bola e é muito forte no um para um. Contra uma equipa como o Arsenal demonstrou que é um jogador de qualidade e que podemos contar com ele”, garantiu, deixando ainda a certeza de que a eliminatória está ainda totalmente em aberto.

“Jogaste em Roma, em Itália, num campo neutro. Agora na Grécia [segunda mão], campo neutro, é igual. É tão igual jogar na Grécia como jogámos em Roma. Temos as mesmas possibilidades. Está tudo em aberto, falta um segundo jogo, mas o Arsenal é uma grande equipa, com jogadores de muita qualidade”, concluiu o técnico encarnado. Também Pizzi, capitão de equipa que acabou por abrir o marcador de grande penalidade, falou na flash e garantiu que “obviamente” o Benfica queria ganhar a partida. “Sabíamos que teríamos pela frente um rival muito complicado que gosta muito de ter a bola, de jogar, de procurar a profundidade com jogadores rápidos nas frente. Queríamos vencer mas o resultado está em aberto para a segunda mão. Vamos com tudo para tentar vencer esta eliminatória para passar à fase seguinte”, disse o médio, que defendeu que o futebol está “estranho ultimamente” e que o objetivo é exatamente fazer o mesmo que em 1991. “Obviamente que faz parte da história deste grande clube. O que nós queremos é isso: na próxima mão fazer as coisas bem”, acrescentou.