André Ventura avisou esta sexta-feira o PSD que o Chega não será “o CDS do século XXI”, alertando que não integrará um Governo de direita, sem assumir as pastas da Segurança Social, Agricultura, Administração Interna, Defesa e Justiça.

Nós não somos a bengala do PSD. Nós não somos o CDS do século XXI. Nós estamos aqui para transformar este país e por isso não aceitamos menos do que aquelas áreas que podemos efetivamente transformar”, disse o presidente demissionário do Chega.

André Ventura reuniu-se esta sexta-feria no Porto com militantes, a quem apresentou os ministérios que exigirá num Governo de direita que contemple o Chega na sua formação. O presidente demissionário e deputado único do Chega avisou que o partido não será bengala de um Governo de direita, assumindo a sua ambição de governar Portugal.

Quero deixar claro ao PSD que sem estas pastas não haverá Governo de direita em Portugal. Escusam de vir depois com o interesse nacional, com a pressão para tirar o Partido Socialista do Governo, com a pressão das condições que nós não estamos aqui para fazer jogos de poder”, defendeu.

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Aos militantes, André Ventura deixou claro que se for reeleito presidente do partido, não aceitará integrar um governo sem que os ministérios da Segurança Social, Agricultura, Defesa e Justiça fiquem sob a alçada do Chega.

Na Segurança Social, Ventura salientou que é preciso acabar com “a vergonha” a que se assiste há anos, dando como exemplo as baixas pensões por oposição a quem vive à custa do Estado.

O líder de extrema-direita criticou ainda o abandono dos polícias “à sua sorte” e o esquecimento das populações do interior, de quem quer ser a voz. A Defesa é outra das pastas que André Ventura não está disposto a abdicar, considerando que os militares em Portugal são considerados “criminosos”, assim, como a Justiça, numa missão contra a “impunidade”.

Confinante de que o partido será capaz de atingir nas próximas eleições legislativas os 15%, o presidente demissionário do Chega apelou à unidade, defendendo que as energias dos militantes devem ser gastas com os que querem destruir o partido.

Desvalorizando a sondagem divulgada esta sexta-feira e que indica que o Chega perdeu 1,8 pontos percentuais nas intenções de voto dos portugueses em fevereiro, Ventura sublinha que, aconteça o que acontecer nas eleições internas do partido, agendadas para06 de março, o Chega não vai parar de crescer, mesmo sob “ameaça permanente”.

Nós temos o maior respeito pela Justiça portuguesa (…) mas sabemos também que há uma mão invisível do sistema conta nós e nessa mão invisível que nasce esta indigna tentativa de nos ilegalizar. (…) 46 anos depois de abril, 46 anos depois daquilo que dizem ser a democracia, ameaçam extinguir na secretaria um partido politico cujo líder foi o terceiro mais votado nas presidências e cuja força política é terceira incontestável nas sondagens. Se isto não é uma ditadura à moda da Venezuela eu não sei o que é uma ditadura“, rematou.

André Ventura demitiu-se uma segunda vez do cargo na sequência das eleições presidenciais de 24 de janeiro, nas quais foi o terceiro mais votado, mas falhou os objetivos de ficar à frente da ex-eurodeputada do PS Ana Gomes e forçar o chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, a uma segunda volta.

Segundo a moção estratégica a que a Lusa teve acesso, o deputado único do partido da extrema-direita parlamentar defende que “a III Convenção [Nacional] terá de ser o passo definitivo” [do Chega] para alcançar a presença no executivo do país. Até ao momento André Ventura não tem oposição, sendo o único candidato à liderança do partido.