Rodinei nasceu em Tatuí, no estado de São Paulo, teve uma infância complicada, passou por clubes como Videira, Avaí e Corinthians, teve duas grandes temporadas ao serviço do Ponte Preta. No final de 2015, a olhar para a época de 2016, assinou com o Flamengo, onde conseguiu finalmente assentar por mais do que uma temporada a título definitivo, tendo ganho alguns títulos individuais no Campeonato Brasileiro e no Carioca, mais até do que troféus coletivos. Em 2019, mesmo “tapado” na lateral direita por Rafinha, foi um dos mais acarinhados no plantel de Jorge Jesus que ganhou praticamente tudo o que havia para ganhar mas acabou por sair, sendo cedido por empréstimo no final do ano ao Internacional, com uma cláusula de opção de quatro milhões de euros.

Quis rodar para jogar mais e teve essa oportunidade, cumprindo cerca de metade dos jogos do Campeonato num total de 33 encontros para todas as competição com Abel Braga, antigo treinador do Flamengo, no comando da equipa de Porto Alegre. No entanto, e na antecâmara daquele que poderia ser o jogo do título, tinha um problema no contrato que o impedia de defrontar os rubro-negros no Maracanã. Um problema com solução.

“O Internacional informa que recebeu nesta sexta (19/2) a doação de 1 milhão de reais de Elusmar Maggi Scheffer. O torcedor colorado, morador de Cuiabá, assinou o termo que repassa o valor ao clube sem qualquer tipo de contrapartida. O nosso mais sincero agradecimento!”, anunciou o clube antes do jogo. Ou seja, o sócio do Grupo Bom Futuro, uma empresa de agronegócio em Mato Grosso, que já esteve nas famílias mais ricas do país, chegou-se à frente, pagou o equivalente a 153 mil euros e deu a oportunidade a Abel Braga de utilizar o lateral direito num dos encontros mais importantes da história do clube de Porto Alegre para que nada faltasse para o título, conforme estava previsto no acordo que tinha sido assinado pelos dois clubes no final de 2019.

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“Sou colorado de berço, daqueles que não vivem sem o Inter. Mesmo morando distante, o meu amor pelo Colorado sempre foi muito grande. Já comemorei muito as vitórias do meu time e a felicidade de viver esse momento com o clube do meu coração, com a real possibilidade de sermos campeões brasileiros, fez com que eu decidisse ajudar”, explicou o empresário, em declarações reproduzidas pelo Globoesporte entre o perfil do adepto.

Rodinei foi titular e até começou por fazer a festa, com Edenílson a inaugurar o marcador de grande penalidade ainda no quarto de hora inicial. O Internacional estava na frente e com o resultado que valia o título este domingo mas Arrascaeta empatou por volta da meia hora e recolocou tudo em aberto até ao minuto 49, altura em que o lateral direito foi expulso após uma entrada duríssima sobre Filipe Luís. O Flamengo, agora treinado por Rogério Ceni depois da saída de Domènec Torrent, subiu as linhas, aumentou a pressão e chegou mesmo à vantagem pelo inevitável Gabriel Barbosa, que marcou o 2-1 aos 63′ num jogo intenso, com golos anulados nos descontos (neste caso a Pedro), penáltis pedidos e muita polémica que se alastrou ao período após o encontro, sendo que pelo meio ainda houve uma bola na trave do Internacional aos 41′ enviada por… Rodinei.

“As decisões são tomadas de acordo com o VAR. Lamento muito o que aconteceu hoje. Acho o [Raphael] Claus um dos três melhores árbitros do país, mas as imagens que vi no vestiário… Inclusive em jogos do Flamengo apitados por ele. São situações muito mais claras em que ele deu o amarelo”, comentou no final Abel Braga, que ironizou ainda com o número de pessoas no Maracanã num jogo à porta fechada, dizendo que achava mesmo que teriam vendido bilhetes. “O desespero de ver os dirigentes do Flamengo praticamente a invadir o campo, do treinador, da comissão… Tentando manipular o VAR… É uma vergonha. O Flamengo não precisa deste tipo de atitude. Colocaram mais de 50 pessoas atrás do banco, colocaram-nos lá no fundo. O Landim [Rodolfo Landim, presidente do Flamengo] foi claro e mentiu para mim”, acrescentou o vice para o futebol, João Patrício Hermann.

“Quem estava aqui no estádio viu uma das maiores vergonhas dos últimos tempos. O Inter foi surrupiado. O árbitro mudou o critério que estava adotando nos últimos jogos. Está rolando na internet. É uma vergonha. Os jogadores do Flamengo disseram isso aos nossos. O Filipe Luís disse que não era para vermelho. Amanhã vamos à CBF [Confederação Brasileira de Futebol]. Ficaremos mais atentos ainda. Tivemos um sinal muito grande contra o Vasco. O presidente chamou a atenção do público e hoje fomos prejudicados de uma forma absurda”, disse ainda o responsável pelo futebol da Direção, numa onda de protestos que promete continuar nos próximos dias.

Desta forma, o Flamengo passou para a frente do Campeonato com 71 pontos, mais dois do que o Internacional, antes de uma última jornada escaldante onde o conjunto do Rio de Janeiro vai jogar fora com o São Paulo (quarto classificado com menos um jogo) e a equipa de Porto Alegre a receber o 10.º posicionado Corintihians.