O Ministério do Interior congolês acusou os rebeldes hutus ruandeses de estarem por detrás do ataque que matou esta segunda-feira o embaixador italiano em Kinshasa na província do Kivu Norte, no leste da República Democrática do Congo (RDCongo).

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Uma caravana do Programa Alimentar Mundial (PAM) foi vítima de um ataque armado por elementos das Forças Democráticas de Libertação do Ruanda (FDLR)” na província do Kivu Norte, afirmou o ministério numa declaração, acrescentando que quatro pessoas foram raptadas na ocasião, uma das quais foi, entretanto, encontrada.

A declaração surge pouco tempo depois de o Governo da República Democrática do Congo, através da ministra dos Negócios Estrangeiros, Marie Tumba Nzeza, ter garantido tudo fazer para esclarecer o homicídio do embaixador italiano Luca Attanasio, ocorrido esta segunda-feira durante um ataque a uma caravana das Nações Unidas perto da cidade congolesa de Goma.

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O ataque, que também matou um polícia e o condutor do carro em que viajavam, visou dois veículos do Programa Alimentar Mundial da ONU (PAM) e teve lugar em Kibumba, 25 quilómetros a nordeste de Goma, na província do Kivu Norte, numa área onde se situa o Parque Nacional da Virunga, na fronteira entre a RDCongo, o Ruanda e o Uganda, e onde operam vários grupos armados.

Attanasio, 43 anos, casado e com três filhas, tinha-se tornado chefe de missão em Kinshasa em setembro de 2017, onde estava a levar a cabo numerosos projetos humanitários.

Os outros dois mortos são o carabinieri Vittorio Iacovacci, de 30 anos, e o condutor do carro, cuja identidade não foi revelada.

O nordeste da RDCongo está mergulhado há anos num longo conflito alimentado por dezenas de grupos rebeldes armados, nacionais e estrangeiros, apesar da presença do exército congolês e das forças de MONUSCO, que destacaram mais de 15.000 soldados para o país.