No final do encontro, a expressão de Sérgio Conceição misturava vários sentimentos. Alegria, alívio, orgulho. O FC Porto tinha acabado de conseguir uma vitória arrancada “a ferros” frente ao Marítimo com uma grande penalidade ganha pelo filho e convertida por Otávio. Foi cumprimentando os seus jogadores no relvado, saudou ainda alguns adversários, deu um abraço apertado e um beijo a Francisco que estava a ser o foco de todas as atenções dos azuis e brancos a par de Marchesín. A roda, essa, demorou mais tempo. E teve até um saco castanho à mistura.

A vitória de Marchesín, como Quintana (a crónica do Marítimo-FC Porto)

O que seria? A dúvida não demorou mais do que dez minutos a ser dissipada: Pepe e Sérgio Oliveira, os capitães de equipa, tiraram uma camisola com o número 200 autografada por todos os elementos para assinalar o 200.º jogo de Sérgio Conceição no comando dos dragões, algo que o treinador agradeceu apressando-se a chamar os restantes membros da equipa técnica para partilhar o “troféu” que apenas José Maria Pedroto e Artur Jorge alcançaram antes no clube. No entanto, e mais importante do que isso para si, os campeões voltaram às vitórias após três empates consecutivos na Liga com muito do “ADN FC Porto” pelo qual tem lutado desde 2017, uma forma de ser e de estar que levou também a que a zona de entrevistas rápidas começasse com uma mensagem particular.

“Antes de mais, queria mandar um abraço à família do [Alfredo] Quintana, dizer-lhe que todos somos poucos para rezar por ele e pedir a Deus que tudo corra pelo melhor. Um abraço muito grande da família portista, especialmente do meu grupo de trabalho”, começou por referir Sérgio Conceição à Sport TV, antes de falar também da lembrança que lhe foi oferecida pelos jogadores depois do encontro na Madeira em forma de surpresa.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Alfredo Quintana, guarda-redes internacional do FC Porto, sofre paragem cardiorrespiratória no treino. Próximas horas decisivas

“Agradeço aos jogadores pois tiveram um gesto fantástico no final, oferecendo-me uma camisola dos 200 jogos, num caminhada cheia de paixão e ambição. E com muitos deles que ali estavam desde o início. Mas a todos os que fizeram parte destes grupos, o meu muito obrigado. O mais especial? Ao longo deste 200 jogos houve alguns fantásticos, como o do RB Leipzig ou agora da Juventus, mas todos valeram títulos. Neste clube não festejamos vitorias mas sim títulos e o somatório dos jogos deu títulos. E queremos mais”, destacou, antes de abordar o jogo diante dos insulares e explicar o que pretendia com as substituições que foi fazendo na segunda parte.

“O Marítimo fez um jogo muito competente. Olhando para este grupo, individualmente é uma equipa com bons jogadores, acima da média. Se for organizada como hoje… Encontrámos um Marítimo competente a defender, a tentar bloquear o nosso jogo nos corredores e com muitos homens no corredor central. Eram muito pressionantes no corredor central. Fizemos o golo, tivemos mais umas ocasiões mas num canto, onde o Zaidu está só, até faltou comunicação, sofremos o empate. Nem me parece que quisessem fazer bem aquilo. Isso galvanizou o Marítimo, que precisa muito de pontos. Cabia-me procurar algo diferente com o que tinha no banco. Vi que não era necessário tanto poder físico mas sim jogadores que numa cabine telefónica arranjassem espaços”, disse.

“Tenho uma confiança enorme nos jogadores, estes três pontos eram importantes. Com o Campeonato a andar, percebemos que a distância para o rival não pode alargar mais. Temos de encurtar, aqui tentámos tudo e fomos felizes, com a pontinha de sorte que nos tem faltado. Nota para os jogadores que entraram, e não estou a falar do Francisco: o Marco [Grujic] entra com vontade enorme, o Toni [Martínez] perde a bola na frente e faz um sprint de 30 metros para a recuperar… isto são sinais importantes. Assim estamos mais perto da vitória”, concluiu.

Mais tarde, na conferência de imprensa, Sérgio Conceição falou mais do filho Francisco, eleito o MVP do encontro pela Liga após uma entrada onde voltou a ganhar uma grande penalidade. “Nunca fui pressionado por ninguém para meter este ou aquele jogador. Funciono muito pela minha cabeça, pela opinião dos meus adjuntos mas quem decide no final é o Sérgio Conceição, que é quem paga também… O Francisco é um miúdo que está a começar, tem alguns minutos na Primeira Liga, tem um trajeto para fazer, assim como muitos miúdos da equipa B aos quais estamos atentos, que a qualquer momento podem ser chamados”, realçou o técnico dos azuis e brancos.