Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Benfica na Premier League? A hipótese foi levantada em 2017 pelo próprio Domingos Soares de Oliveira, CEO dos encarnados, em declarações à Forbes, numa edição onde era publicado um extenso trabalho sobre clube e técnico principal, Rui Vitória. Não num sentido literal mas através daquele que é um dos pontos distintos da competição, os direitos televisivos, e da rentabilização de receitas através do modelo de gestão preconizado pelas águias.

Da menor dívida financeira das últimas duas décadas ao milhão a menos por jogo à porta fechada: as contas do Benfica

“Quando o dinheiro é muito, as pessoas preocupam-se menos com a otimização do seu volume de negócio. Nós temos uma experiência de 10, 15 anos em que, sem dinheiro, tivemos de otimizar o nosso modelo, chegando ao ponto de hoje o Benfica ser uma empresa que está finalmente a conseguir diminuir a alavancagem feita em cima de dívida para se construir o modelo que temos atualmente”, destacou, explicando que a ideia passava por exportar esse mesmo modo de funcionamento para um clube da Premier League através da marca “Powered by Benfica” por forma a criar uma outra sustentabilidade de crescimento e rentabilidade de negócio.

Nos anos seguintes, não mais esse tema voltou a ser falado. No entanto, e de acordo com documentos a que a Der Spiegel teve acesso e que partilhou com as publicações que fazem parte do consórcio EIC – European Investigative Collaborations do qual faz parte o Expresso (conteúdo fechado), a hipótese foi real e teve um nome: Charlton.

Benfica com inédito endividamento inferior a 100 milhões num exercício

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Segundo esses mesmos documentos, Jorge Mendes funcionou como intermediário, colocando a possibilidade à então presidente executiva do clube da League 1 (equivalente ao terceiro escalão inglês), Katrien Meire. No final de janeiro de 2017 foi mesmo enviado um acordo de confidencialidade a Soares de Oliveira para que os encarnados pudessem aceder a todos os dados entre receitas, património e projeções feitas por uma consultora. Esse acordo foi assinado, a questão terá sido discutida com o líder Luís Filipe Vieira mas o negócio não avançou.

A importância da tecnologia no Benfica, do trabalho com a Microsoft aos 20 analistas de dados no Seixal

Em paralelo, houve uma outra hipótese no estrangeiro para o Benfica: os espanhóis do Almería. Vieira e Domingos Soares de Oliveira analisaram também a possibilidade de comprar os 94% de participação na sociedade do Easur Agricola pelo valor mínimo de 29 milhões de euros mas o negócio, discutido pelos encarnados com o advogado Fernando Fraga, nunca chegou a avançar, à semelhança do que acontecera com o Charlton. Mais tarde, e sem qualquer ligação a esta possibilidade surgida no final de 2016, o Benfica negociou com o clube a contratação de Darwin Núñez, avançado internacional uruguaio de 21 anos que se tornou a compra mais cara de sempre, por 24 milhões de euros, com os espanhóis a ficarem com 20% de uma mais-valia numa futura transferência.