Menos de três semanas antes de ter sido confirmado em Itália o primeiro caso de coronavírus transmitido localmente, as autoridades do país levaram a Organização Mundial de Saúde a acreditar que o país estaria pronto para responder a uma pandemia, segundo o jornal britânico The Guardian. Só que não estavam.

Está em causa o Regulamento Sanitário Internacional, tratado para combater a propagação de doenças, em que os países têm de apresentar uma autoavaliação sobre o nível de preparação do país para uma emergência de saúde.

O relatório italiano foi entregue a 4 de fevereiro, segundo o jornal, garantindo que o país não podia estar mais bem preparado. Foi atribuída nota máxima (5 em 5) à categoria que afirma que o “mecanismo de coordenação de resposta de emergência do setor da saúde e o sistema de gestão de incidentes ligados a um centro nacional de operação de emergência foram testados e atualizados regularmente”.

O problema? Não será verdade, porque no ano passado soube-se que Itália não atualizava o plano para fazer face a pandemias desde 2006, o que pode ter levado a muito mais mortes do que seria normal se esses protocolos estivessem em vigor — entre 10 mil e 35 mil mortes a mais na primeira vaga, segundo Pier Paolo Lunelli, um general na reforma que investigou o assunto.

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Giuseppe Ruocco, um responsável do Ministério da Saúde Italiano, terá já confirmado, segundo o Guardian, que o plano para a pandemia não era atualizado há 14 anos, o que contraria as diretrizes da OMS.

O relatório de fevereiro do ano passado é, segundo o jornal, essencial para a investigação em curso de procuradores italianos, que procuram perceber que erros foram cometidos pelas autoridades do país durante a primeira vaga.

Até ao momento, Itália acumula perto de 96 mil mortes por complicações associadas à Covid-19. De acordo com a plataforma Our World in Data, que se baseia em dados oficiais, estão em causa 1.587 mortes por cada milhão de pessoas, o que coloca o país no quinto lugar deste ranking, depois de San Marino, Bélgica, Eslovénia, República Checa e Reino Unido. Portugal surge no sexto lugar, os EUA no nono e Espanha no décimo segundo.