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A certa altura da chegada na Jebel Hafeet, e já depois de vários cortes naturais no pelotão que deixaram para trás grandes nomes da Volta aos Emirados Árabes Unidos (EAU), Adam Yates e Tadej Pogacar partiram de vez e foram cavando o fosso para o grupo perseguidor onde se encontrava mais uma vez João Almeida, que perdeu demasiado cedo Fausto Masnada na subida e que viu ainda Mattia Cattaneo quebrar na última fase, ficando sem elementos da Deceuninck Quick-Step para um último forcing para reduzir distâncias. Ainda assim, aguentou o pódio na geral individual. E recebeu um “elogio” no final, quando o vencedor do último Tour e também desta terceira etapa admitiu que o grande objetivo do britânico era mesmo deixar para trás o português naquela fase da corrida.

Yates tenta, Pogacar consegue, João Almeida resiste: português acaba montanha no sexto lugar e fica em terceiro da geral na Volta aos EAU

Entre um elenco forte, a juntar grandes nomes mesmo num início de temporada onde o rendimento dos corredores é ainda uma incógnita em vários casos, João Almeida veio mesmo para ficar e continua a ser levado muito a sério pelos adversários mais diretos. Mais: ganhou um novo espaço também no plano internacional, como se viu nos ecos da imprensa europeia às entrevistas que deu aos jornais desportivos nacionais explicando que a grande aposta de 2021 deverá passar pela Vuelta a Espanha e não pelo Giro de Itália. “O que fiz no Giro de 2020 foi muito bom mas já pertence ao passado. Correu muito bem isso significa mais pressão e exigência e sou o primeiro a exigir mais de mim”, explicou, a propósito dos principais planos para a nova temporada que agora começou.

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A época vai ser longa, envolvendo mais algumas corridas e clássicas com a Vuelta colocada entre meio de agosto e início de setembro sendo antecedida pelos Jogos Olímpicos e seguida depois pelos Mundiais. E neste arranque, a seguir ao sexto lugar na terceira etapa que levou a uma descida ao terceiro lugar da geral, havia ainda muito por lutar para o português, a 20 segundos de Adam Yates, com a camisola preta dos sprints intermédios e na segunda posição na camisola verde dos pontos apenas atrás de Pogacar (como na branca da juventude) sendo que a maior prioridade seria mesmo conseguir o primeiro pódio da carreira na geral de uma corrida do World Tour.

E a quarta etapa da Volta aos EAU, a mais extensa da prova com um total de 204km feitos na ilha de Al Marjan, foi a mais tranquila de todas, com as fugas da ordem na frente e muita descompressão no pelotão (e sorrisos, vários sorrisos nas conversas entre vários elementos de equipas diferentes) quase que a preparar aquela que se prevê que seja a tirada mais dura, esta quinta-feira, entre a cidade de Fujairah City e Jebel Jais com uma chegada a subir com mais de 20 quilómetros, muito superior a Jebel Hafeet mesmo tendo uma inclinação média menor. A chegada foi mesmo feita em sprint, sem qualquer alteração de maior na classificação na geral e com João Almeida a deixar de ter a camisola preta, como era expectável perante as prioridades que tem na prova.

Sam Bennett, companheiro de João Almeida na Deceuninck Quick-Step, foi o melhor na chegada, batendo David Dekker (Jumbo-Visma), que terminou na segunda posição como já tinha acontecido na primeira etapa. Caleb Ewan (Lotto) fechou o pódio de uma etapa que teve ainda Elia Viviani, Matteo Moschetti e Pascal Ackermann nos lugares cimeiros, tal como Fernando Gaviria, que não foi além da nona posição. Na classificação geral não houve mexidas, com Pogacar a manter a liderança com 43 segundos de avanço sobre Adam Yates e 1.03 minutos em relação a João Almeida, que assegurou os mesmos 40 segundos de vantagem sobre Chris Harper (Jumbo-Visma). Nas outras classificações, o português desceu a segundo da camisola preta dos sprints intermédios com menos um ponto do que o francês Tony Gallopin (AG2R) e a terceiro na camisola verde dos pontos, que passou agora a ser de Dekker.