O governo grego considera que a União Europeia (UE) deve trabalhar “mais depressa” na adoção de um passaporte de vacinação contra a Covid-19 que permita a deslocação de pessoas entre os vários estados-membros.

A Grécia tem vindo a defender a criação de uma documento que permita a quem foi vacinado deslocar-se livremente dentro do espaço europeu, uma medida que pretende ajudar a revitalizar o turismo, uma área fundamental para a economia do país, responsável por 18% do PIB e por mais de 900 mil postos de trabalho. Foi nesse sentido que os gregos assinaram este mês um acordo com Israel para que os vacinados possam circular entre os dois países. O primeiro-ministro grego classificou a iniciativa como “um teste para o que podemos fazer com outros países”.

Os próprios israelitas recorreram a uma medida semelhante para a reabertura do comércio esta semana. Piscinas, ginásios, hotéis e centros comerciais puderam voltar a abrir portas, mas apenas os cidadãos que apresentem um certificado de vacinação contra a Covid-19 podem entrar. A regra tem gerado alguma polémica e levantado algumas questões éticas e legais no país.

Governo rejeita, para já, criação de passaporte de vacinação

A sugestão dos gregos não tem sido bem recebida pela maioria dos países da UE. Em janeiro, França mostrou-se “reticente” quanto à emissão do passaporte. Este mês, o governo português considerou “prematuro” a criação deste tipo de documentação numa altura “em que o processo de vacinação na UE ainda está concentrado em grupos prioritários”. O governo britânico também afastou a hipótese, que alguns sugerem que deve ser implementada internamente como em Israel, permitindo a entrada em pubs ou teatros.

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A Grécia explica a reação negativa de alguns países com “falta de visão”. “Temos de fazer mais para nos prepararmos”, declarou o ministro do Turismo, Harry Theocharis, em entrevista ao Financial Times. “Alguns países estão muito preocupados com o agora. Precisamos de avançar mais depressa.”

Theocharis disse ser fundamental que a UE acelere as decisões relativas à circulação segura de pessoas dentro do espaço europeu. “A pessoas precisam de saber se podem ir de férias de verão”, afirmou. Questionado sobre o alerta do governo britânico em relação às férias internacionais, o ministro admitiu não entender “esse tipo de mensagem”. “As pessoas puderam ser vacinadas no Reino Unido (…). Não percebo como podemos dar um passo quando temos mais ferramentas no nosso arsenal.”