Continuam os avanços e os recuos em torno do tema da vacinação no Parlamento. Apesar de ter sido anunciado por Eduardo Ferro Rodrigues, apesar de ter sido confirmado por Maria Luz Rosinha, porta-voz da conferência de líderes, apesar de a socialista Edite Estrela ter sido anunciada como coordenadora, afinal, o grupo de trabalho que devia coordenar o processo de vacinação dos deputados não vai existir.

Tudo começou a 2 de fevereiro. Nesse dia — e já depois de o PS ter proposto a criação de um grupo de trabalho — o Presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, acomodou a sugestão e sugeriu que se avançasse para a constituição do mesmo para acompanhar todo o processo de vacinação dentro da Assembleia da República. O objetivo era que, “de forma programada”, se atingisse a meta de vacinar “todos os deputados que pretendam ser vacinados, bem como os funcionários considerados indispensáveis para garantir o funcionamento efetivo” do Parlamento.

Passaram 22 dias e nada. Esta quarta-feira, o assunto foi finalmente discutido na conferência de líderes que, segundo informação oficial, dava agora ‘luz verde’ a uma nova estratégia e, consequentemente, à constituição do grupo de trabalho. “Abordámos a questão da vacinação, o grupo de trabalho constituído para a vacinação que é presidido pela deputada Edite Estrela que fará articulação com o secretário-geral da Assembleia e com os diversos grupos parlamentares”, anunciou a própria porta-voz da conferência de líderes, Maria Luz Rosinha, no final da reunião.

Ferro propõe grupo de trabalho para acompanhar vacinação de deputados

Pormenor: um dos líderes parlamentares contactados pelo Observador logo depois do fim da reunião garantiu que o tal grupo de trabalho ainda não estava formalmente constituído e que não tinha sido definida uma data limite para apresentar os deputados que iam fazer parte do mesmo.

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Ao Observador, Maria Luz Rosinha acabaria por esclarecer: houve um erro e, afinal, não se trata de um grupo de trabalho. “Não há nenhum grupo de trabalho. Já agora aproveito e corrijo”, diz a socialista. A proposta para haver um grupo de trabalho existia, é um facto, mas a porta-voz assegura que “ficou sem efeito, não vai existir”.

Por outras palavras: Edite Estrela não vai presidir a nada porque não há nada para presidir. “O Presidente da Assembleia da República delegou [em Edite Estrela] a tarefa de fazer a articulação”, explica agora Maria Luz Rosinha. Essa articulação será feita com o secretário-geral da Assembleia da República, mas também com os diversos grupos parlamentares e com os responsáveis pelo plano de vacinação.

Com ou sem este grupo de trabalho, o “alinhamento” entre a Task Force e a Assembleia da República vão ser fundamentais em todo o processo. Fonte presente na conferência de líderes garantiu que não vão ser tomadas decisões sem a articulação total com a Task Force, responsável pelo concretização do plano a nível nacional. Ou seja, Edite Estrela tem a função de garantir que existe uma linha bem definida entre o plano de vacinação da Assembleia da República e o plano nacional.

É de recordar que a polémica da vacinação dos deputados já se arrasta há muito. Inicialmente, e depois de contactar os grupos parlamentares e os deputados únicos, Eduardo Ferro Rodrigues desenhou uma lista de deputados prioritários para a vacinação. Começou por ser de 50, depois passou para 35 (quando uma parte dos deputados do PSD disse que não queria) e agora está ainda mais encolhida do que isso, com vários deputados do PS a passarem a vez.

Maria Luz Rosinha, porta-voz da conferência de líderes, revelou que, até ao momento, foram vacinados contra a Covid-19 “menos de 30 deputados” de uma lista inicial que contava com mais de 50 nomes prioritários. Depois de conhecidos esses deputados, vários abdicaram e optaram por ser vacinados quando o plano nacional de vacinação lhes permitir. “Neste momento, os deputados que deveriam ser vacinados prioritariamente já o foram“,  explicou a deputada socialista, sendo que esta nova estratégia encabeçada por Edite Estrela vai analisar com as respetivas chefias quem devem ser os primeiros funcionários a levar a vacina.

Deputados e ministros estão a ser vacinados discretamente. Autarcas ainda não foram contactados

Tomada de posse de Marcelo com menos de 100 pessoas na sala

Da conferência de líderes saiu também a decisão de que a tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa, no dia 9 de março, vai estar limitada a 50 deputados e o “número reduzido de convidados” e com um “cerimonial protocolar também bastante reduzido” tendo em conta as circunstâncias. No total, haverá menos de 100 pessoas na sala.

“Os convidados são na maior parte dos casos do Presidente da República”, refere, exemplificando que no caso dos embaixadores estará presente apenas o decano. Está ainda a ser afinada a lista com o gabinete do presidente da Assembleia da República, mas sabe-se que a sessão de cumprimentos também terá um “formato reduzido” e “sem contacto físico”, sendo que nem todos os presentes na tomada de posse seguem depois para os cumprimentos.