Num ano particularmente importante para a BMW, em que o fabricante alemão se prepara para lançar o iX, o seu SUV eléctrico topo de gama, o seu CEO, Oliver Zipse, resolveu debruçar-se sobre a probabilidade de a Tesla continuar a crescer a 36% ao ano, o ritmo que revelou de 2019 para 2020. A conversa foi reportada pela Bloomberg, a que Automotive News deu eco, uma vez que tecer comentários sobre um concorrente é algo raro entre os CEO da indústria automóvel. Sobretudo, quando uma marca que comercializa cerca de 2 milhões de carros por ano decide pronunciar-se sobre outra que, só em 2020, se aproximou do meio milhão.

Para Zipse, o elevado número de modelos eléctricos que todos os fabricantes tradicionais se preparam para colocar no mercado em 2021 vai tornar difícil que a Tesla mantenha o actual ritmo de crescimento. Pelo seu lado, a Tesla parece pouco interessada com as preocupações do CEO da BMW, continuando a antecipar um crescimento de 50% para este ano, durante o qual espera colocar no mercado mais 750.000 unidades.

Que segredos esconde o novo BMW iX?

As afirmações do responsável pela BMW denotam, contudo, uma evolução da opinião dos líderes da indústria automóvel sobre o rival norte-americano Tesla, pois se há um par de anos antecipavam a sua falência para breve, agora a questão é se consegue continuar a crescer a 30% ou 40% ao ano.

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Não deve ser fácil para Zipse explicar aos seus accionistas que um construtor de sucesso como o Grupo BMW (BMW, Mini e Rolls-Royce) tenha um valor de mercado de somente 46 mil milhões de euros, definido pelo valor das suas acções, enquanto a Tesla está nos 675 mil milhões de dólares (cerca de 554 mil milhões de euros). Aliás, até a Elon Musk, que hoje é apenas o segundo mais rico do mundo, atrás de Jeff Bezos, da Amazon, é atribuída pela Bloomberg uma riqueza de 183,4 mil milhões de dólares, cerca de quatro vezes mais do que o valor do Grupo BMW.

A maior valorização da Tesla tem tudo a ver com a confiança dos investidores no futuro da empresa e no seu potencial de crescimento. E, neste caso particular, basta ter presente que hoje as acções da BMW se transaccionaram a 71,50€, quando estavam a 73,80€, em 2016, há exactamente cinco anos, enquanto a Tesla viu os seus títulos serem cotados hoje a 704,44$, uma valorização imensa face aos 38,07$ que valia em Fevereiro de 2016. E, se tivermos presente que entretanto o fabricante americano fez um split 5 por 1 dos seus títulos em 2020, significa que a valorização da Tesla em cinco anos não foi de 18 vezes, para sim de 90, contra uma ligeira descida do Grupo BMW.