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Depois de dois meses a subir, o indicador que mede a confiança dos consumidores voltou a cair em fevereiro. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), as empresas também estão mais pessimistas, com o indicador de clima económico a intensificar a redução de meses anteriores. Só a indústria transformadora escapou à tendência.

No caso dos consumidores, a evolução refletiu essencialmente “o contributo negativo das expectativas relativas à evolução futura da situação económica do país“, assim como as perspetivas de realizar compras “importantes”. Já quando olham para a situação financeira passada do agregado familiar, a avaliação manteve-se inalterada face a janeiro. Por outro lado, as expetativas futuras quanto à sua situação financeira evoluíram positivamente, mas não de forma suficiente para inverter o indicador de confiança.

Nas empresas, por sua vez, o indicador de clima económico, que mede a confiança dos empresários, caiu para níveis de julho de 2020. As diminuições foram mais acentuadas no comércio e nos serviços, enquanto que na construção e obras públicas a quebra já foi ligeira. Só a indústria transformadora viu a confiança subir em fevereiro.

Neste último caso, a evolução positiva deveu-se ao otimismo quanto às expectativas de produção das empresas, mas as “apreciações relativas aos stocks de produtos acabados e as opiniões sobre a evolução da procura global” apresentaram contributos negativos.

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Já no caso do comércio, a falta de confiança reflete as baixas perspetivas sobre o volume de vendas e da atividade nos próximos três meses. E nos serviços pesa negativamente a expectativa de evolução da carteira de encomendas, da procura e da atividade. Os indicadores de confiança diminuíram em seis das oito secções dos serviços, com destaque para as atividades imobiliárias, alojamento, restauração e similares e atividades de informação e comunicação.

As respostas dos consumidores foram recolhidas entre 1 e 12 de fevereiro e as das empresas entre 1 e 19. O INE apela a uma “melhor colaboração das empresas, das famílias e das entidades públicas na resposta às solicitações”, para melhorar a “qualidade” das estatísticas oficiais.

Média da UE segue tendência oposta

Na média da União Europeia e na zona Euro, as perspetivas quanto ao futuro são mais otimistas do que em Portugal. Segundo dados da Direção-geral dos Assuntos Económicos e Financeiros da Comissão Europeia, o indicador de sentimento económico até subiu em fevereiro — para os 93,1 pontos na zona euro e para os 93,4 na UE.

Entre os países onde o sentimento económico mais subiu estão a Polónia (4,7 pontos), Itália (4,4) e Alemanha (3,0). Já em Portugal houve uma redução de 1,9 pontos (para 85,5).

Um outro indicador é o das expectativas de emprego, que cresceu para os 91,9 (zona Euro) e os 90,9 pontos (UE). Em Portugal mantém-se igual (98 pontos).