Era um dos álbuns mais esperados de 2021 desde que, em dezembro de 2020, Nick Cave respondeu a uma mensagem de um fã desiludido com o cancelamento da sua digressão mundial (que passaria por Lisboa) escrevendo-lhe: “É altura de fazer um disco. Falo com todos vós novamente no novo ano”.

Um mês depois vieram mais detalhes: o título, CARNAGE (assim mesmo, em maiúsculas), e a garantia de Nick Cave que estivera em estúdio “com o Warren” a “fazer um álbum”. Já este mês, depois de um ouvinte lhe pedir mais detalhes, Nick Cave respondeu: “Ok. Que tal isto? CARNAGE é um disco brutal mas muito bonito e incrustado numa catástrofe comunitária”.

O que nunca foi revelado foi a data de lançamento. Esta quinta-feira, sem aviso prévio, o álbum chegou às plataformas digitais de streaming. E em maio (dia 28) chegará às lojas físicas, em formato CD e vinil.

Na descrição oficial enviada à imprensa, é explicado que o novo álbum de Nick Cave com o seu velho companheiro Warren Ellis — amigo e parceiro musical de muitos anos, membro da banda que acompanha habitualmente Nick Cave (os Bad Seeds) — foi gravado “durante um período de semanas ao longo do confinamento”.

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Apesar de o par ter composto e gravado muitas bandas sonoras em parceria, e de Warren ser um membro de longa data dos The Bad Seeds, esta é a primeira vez que enquanto duo lançam um álbum inteiro de canções novas”, refere o comunicado enviado aos subscritores do seu site Red hand Files.

No comunicado oficial, Warren Ellis também é citado. Diz que “fazer o CARNAGE foi um processo acelerado de criatividade intensa” e que “as oito canções” que fazem parte do disco “estavam lá de uma forma ou de outra nos primeiros dois dias e meio” de trabalho.

Com 63 anos e um percurso musical iniciado na adolescência, há quase 50 anos, o músico, cantor e compositor australiano Nick Cave tem já uma longa discografia, com 17 álbuns de originais editados com os Bad Seeds a que se somam ainda quatro discos com a sua antiga banda Birthday Party, um álbum com um grupo pouco duradouro chamado The Boys Next Door, dois discos editados com a banda Grinderman, perto de 20 bandas sonoras (na sua maioria compostas com Warren Ellis). Além disso, tem editados cinco discos ao vivo, é autor de romances e coletâneas publicadas de letras e poemas e protagonizou ainda filmes como 20.000 Dias na Terra e One More Time with Feeling.

Os últimos dois álbuns de originais que Nick Cave editou, Skeleton Tree (2016) e Ghosteen (2019), foram assinados pelo músico australiano com a sua banda — Nick Cave and the Bad Seeds — e são ambos já posteriores à morte trágica do filho do músico, Arthur Cave, que morreu com apenas 15 anos. Mais recentemente, em 2020, Nick Cave editou o disco Idiot Prayer (Nick Cave Alone At Alexandra Palace), uma coleção de temas (na sua maioria, antigos) que Nick Cave gravou ao vivo apenas com piano e voz na sala londrina Alexandra Palace para um filme-concerto com o mesmo nome do disco.

Nick Cave sozinho ao piano, a tocar e cantar para a internet: isto não é o ideal, é o consolo possível