Foram vários os temas abordados na primeira entrevista a solo de Jill Biden após a tomada de posse do marido como presidente dos Estados Unidos da América, a 20 de janeiro. Aos 69 anos, a primeira-dama conversou com Kelly Clarkson, numa edição especial do seu talk show na NBC, gravada na Casa Branca e transmitida da última quinta-feira.

O divórcio foi o primeiro tópico a ressaltar. Numa conversa intimista, a cantora e compositora norte-americana expôs as suas angustias quanto ao processo de separação que se arrasta desde junho do ano passado e que pôs fim a sete anos de casamento com Brandon Blackstock. Desde então que a luta judicial pela divisão de bens e pela custódia dos dois filhos tem sido alvo de um intenso escrutínio público.

“Se conseguires viver um dia de cada vez, as coisas vão melhorar”, referiu a primeira-dama dos Estados Unidos. “Hoje, quando olho para trás, vejo que, se não me tivesse divorciado, nunca teria conhecido o Joe e não teria agora esta linda família. É por isso que acredito que estas coisas vêm por bem”, adicionou.

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Biden foi casada com Bill Stevenson durante cinco anos, enquanto frequentava a universidade. Divorciou-se em 1975 e casou dois anos mais tarde com o atual presidente, na altura viúvo e pai de dois filhos. “Kelly, com o passar do tempo vais recompor-te e surpreender-te. Mal posso esperar que esse dia chegue”, rematou. Do segundo casamento nasceu Ashley Biden, embora Jill tenha desempenhado um papel importante na educação de Hunter e Beau Biden, que viria a morrer em 2015. O luto foi, aliás, outro dos temas abordados na entrevista.

“Perdemos o nosso filho Beau por causa de um cancro. Tinha 46 anos. Rezei tanto, todos os dias, para que ele sobrevivesse. Achava que Deus o ia manter vivo por ele ser uma pessoa tão especial. Rezei e rezei, mas no final não tinha de ser”, admitiu. “Quando o perdemos, foi muito difícil para mim manter a fé”, conclui.

Através da entrevista a Kelly Clarkson, a primeira a solo enquanto primeira-dama dos Estados Unidos, Jill Biden quis aproximar-se do público, razão pela qual alinhou num jogo de reações rápidas e deu ainda a conhecer os dois cães do casal presidencial, Major e Champ, que segundo Jill circulam por todos os espaços, apenas são têm autorização para subir para cima da mobília.

Pouco mais de um mês após a tomada de posse, são claras as prioridades da sua agenda — a educação (é professora de literatura inglesa), o apoio às famílias de militares americanos e a pesquisa na área do cancro. Com o marido, partilha a missão de unificar um país fragmentado pelo preconceito racial e pela emergência sanitária.

Aos 69 anos, Jill Biden mantém uma rotina severa, que inclui tirar algum tempo, todos os dias, para si própria. “Levanto-me cedo e é aí que tenho tempo só para mim”, admitiu. “Corro e ando de bicicleta. Limpa-me a cabeça, daí ser tão importante. Acho que todas as mulheres devem ter este tempo só para elas. Não tem de ser exercício físico, no entanto, se for, ainda bem. Simplesmente, tirem um tempo só para elas”.

Na mesma entrevista, Jill também respondeu a algumas questões feitas pela plateia que, virtualmente, assistiu à emissão. Um dos intervenientes questionou a primeira-dama sobre qual a primeira coisa que faria quando a Covid-19 desaparecesse. “Algo divertido? Talvez fosse tomar um martini e comer batatas fritas”.