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A última etapa da Volta aos Emirados Árabes Unidos (EAU), que fez a ligação entre Yas Mall e Abu Dhabi ao longo de 146 quilómetros, levava uma média altíssima (até superior ao que é normal tendo em conta o contexto e o facto de estar tudo resolvido), a descompressão era a grande imagem de marca no pelotão mas uma queda a cerca de 40 quilómetros alterou por completo essa realidade, até por envolver um dos principais corredores na prova. No entanto, e também aqui, todos acabaram por dar mais um grande exemplo de fair play.

João Almeida mantém terceiro lugar na Volta aos Emirados mas a notícia é outra: vai liderar Deceuninck no Giro

No seguimento de uma queda de um companheiro de equipa (Daniel Martínez) quando nada o fazia esperar, Adam Yates, que vinha na sua roda, foi também ao asfalto de cara, outros corredores ficaram também presos na queda mas foi o inglês a sair com mais marcas do acidente, com sangue sobretudo na cara. Havia até inicialmente a dúvida se poderia ou não regressar, algo que ficou dissipado a partir do momento em que se levantou, ainda que em dificuldades. Foi assistido, voltou à estrada, continuou a fazer depois alguns quilómetros com o carro da equipa por perto enquanto era visto por um médico. Enquanto tudo isso acontecia, o pelotão abrandou e muito, quase que neutralizando esse período da etapa por forma a que o inglês da Ineos pudesse voltar.

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Já antes, João Almeida, que na confusão que levou à queda de Adam Yates também teve de meter o pé no chão para evitar males maiores, tinha apanhado um “susto”, quando o pelotão partiu e Chris Harper ficou no grupo da frente, o que poderia colocar em risco o terceiro lugar do português. Não aconteceu, longe disso, porque o trabalho para apanhar esse primeiro “comboio” foi bem feito e esse fosso que chegou a ser de 30 segundos ficou dissipado, sendo que também Neilson Powless, quinto classificado na geral a dois segundos do australiano, estava no grupo perseguidor. Mas quem esperava apenas mais uma etapa tranquila encontrou uma tirada com muitas incidências, ainda que nem sempre pelos melhores motivos como aconteceu na queda do líder da Ineos.

A chegada, essa, ficou novamente reservada para os principais sprinters e com outro estado de espírito de David Dekker, filho do antigo medalhado olímpico Erik Dekker que ganhou quatro etapas do Tour, que segurara antes a camisola verde dos pontos e atenuou a frustração de não ter conseguido chegar a nenhuma vitória antes apesar de dois segundos lugares e uma quarta posição. No final, a última vitória foi para Caleb Ewan, australiano que teve outra abordagem aos últimos metros da etapa e conseguiu desta vez bater o irlandês Sam Bennett.

Já João Almeida, que durante esta Volta aos EAU ficou a saber que a Deceuninck Quick-Step alterou os planos iniciais e vai apostar nele para o Giro e não para a Vuelta (que era a primeira ideia), segurou a terceira posição da classificação geral, apenas atrás do vencedor incontestável da Team UAE Emirates, Tadej Pogacar, e do líder da Ineos, Adam Yates. Com isso, e depois do brilhante quarto lugar na Volta a Itália de 2020, o português conquistou o primeiro pódio numa corrida do World Tour e logo na primeira prova que fez este ano.