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O jogo do FC Porto frente ao Sporting teve alguns méritos. Pela quarta vez na presente temporada, os leões não tiveram qualquer remate enquadrado com a baliza até ao intervalo. Pela primeira vez na presente temporada, os leões não tiveram qualquer remate enquadrado com a baliza durante 90 minutos. No entanto, houve um outro dado que acabou por fazer toda a diferença: 55 jogos depois, os dragões terminaram um jogo do Campeonato sem marcar em casa, algo que tinha acontecido pela última vez frente ao Benfica a 1 de dezembro de 2017.

A chama de Otávio e a faísca de Matheus numa noite que não teve fogo de artifício (a crónica do FC Porto-Sporting)

Há 12 anos que o clássico no Dragão não terminava sem golos (fevereiro de 2008), um resultado que acabou por beneficiar mais a equipa visitante por manter a vantagem de dez pontos a 13 jornadas do final do Campeonato. Um fosso grande, agora mais denso, mas que Sérgio Conceição não interpreta como último capítulo da prova, pelo contrário. “Vão ter de levar connosco até ao fim. Vamos lutar até ao fim. Faz parte do ADN desta equipa, desta casa e não vamos baixar a guarda. Não vamos atirar a toalha ao chão, era o que faltava. Faltam 13 jogos e contem connosco até ao fim”, garantiu o treinador dos azuis e brancos no final da zona de entrevistas rápidas da Sport TV, já depois de ter explicado que o grande pecado dos dragões entroncou na parte da finalização.

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“A equipa estava a criar, estava bem. Para jogar com dois avançados, tem de se ter alvos que percebam o equilíbrio do meio-campo. O Francisco [Conceição] e o Luis [Díaz] são alas puros. Se tivesse mexido mais cedo, teria um dissabor ainda maior. Isto para nós é uma derrota mas perderíamos mais do que ganhávamos. Mexi como achei que devia mexer, mantendo o Otávio e o Corona. Troquei o Marega pelo Evanilson para dar outra frescura no ataque. Sempre com o intuito de ganhar o jogo. Percebeu-se que o Rúben [Amorim] estava contente e os jogadores, pela forma como estavam em campo, que estavam contentes com o empate, o que é absolutamente normal, pelos pontos de avanço que têm. É compreensível o que se passou aqui. Menos compreensível quem dirige o jogo e deixa rolar desta forma”, comentou, antes de falar sobre a arbitragem sem que com isso “justificasse o resultado”.

“Nós não queríamos um ritmo baixo, queríamos um ritmo alto no jogo. Acho que os intervenientes, as três equipas, têm de ter caráter, personalidade, jogar o jogo e ter velocidade e intensidade. Nós queríamos. Chegámos aos 90 minutos, houve cinco paragens para substituições, situações de jogadores no chão… O árbitro foi várias vezes ao banco. E dá três minutos de desconto. Nós queríamos jogar, queríamos ganhar, organizámos a equipa para isso. Merecíamos. Criámos mais situações, tivemos uma boa atitude no jogo. O Sporting não esteve confortável a lidar com a nossa equipa, a nossa pressão sobre o adversário, quando eles queriam sair a jogar. Ganhámos as segundas bolas, saímos com perigo para o ataque. Faltou discernimento na hora de concluir. Foi aí que não ganhámos o jogo. Para nós é claramente uma derrota porque tivemos quatro ou cinco situações para ganhar o jogo. O Sporting só teve aquele lance rápido, do Matheus Nunes, foi a única vez que causou perigo”, salientou.

“Este tipo de jogos, muito importantes para definição pontual, têm de ter o melhor árbitro e ele hoje estava no VAR. O Artur Soares Dias é o melhor árbitro português e tem de apitar este jogo, tem de deixar rolar. O João Pinheiro é um bom árbitro. Aqui não há nenhuma desculpa. Já sei como são os comentários e as televisões. Não foi o árbitro, temos é de ser eficazes. Não tem a ver com o árbitro. Mas no que é promover um jogo mais rápido, com mais situações, menos faltas, que muitas delas não existiram. Os intervenientes no jogo podem e devem fazer mais nesse sentido. A haver um vencedor, tínhamos de ser nós”, concluiu aos microfones da Sport TV.

Mais tarde, na conferência, Sérgio Conceição voltou a falar do domínio, da falta de eficácia e da questão das muitas paragens no jogo, recordou o número de remates que o Sporting fez (ou não fez) no dérbi contra o Benfica, reiterou que o FC Porto foi sempre superior aos leões nos três confrontos feitos na presente temporada, antes de um caso a propósito do número de vezes que os bancos se tinham levantado durante o jogo. “Ouvi que houve um órgão que fez a contagem de vezes que nos tínhamos levantado, que tinham sido 12… Gostava de saber se tinha contado as vezes do outro banco”, atirou, antes de ouvir como resposta “quatro”. No final, Rui Cerqueira, assessor dos azuis e brancos para o futebol, mostrou o seu desagrado com o mesmo jornalista à saída da sala de imprensa.