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Quando Thomas Tuchel assumiu o comando do Chelsea, ocupando a vaga do antigo jogador, antigo capitão e agora antigo treinador Frank Lampard, uma das críticas que era mais vezes apontada à equipa passava pela incapacidade de colocar os principais reforços da temporada a brilhar no setor ofensivo, casos de Timo Werner, Kai Havertz ou Ziyech. À exceção do antigo avançado do RB Leipzig, mais envolvido na dinâmica coletiva, nem houve assim uma grande mudança a esse propósito, até porque os jogadores que mais ganharam com o novo sistema de 3x4x3 que foi adotado acabaram por ser aqueles que já estavam em Stamford Bridge: Mount, Jorginho e Kovacic. Todavia, houve uma grande alteração que fez toda a diferença e que catapultou os blues para o melhor momento.

Desde que o técnico alemão se estreou no clube, com um nulo frente ao Wolverhampton, o Chelsea conseguira até este domingo seis vitórias e dois empates com apenas dois golos consentidos (e dez marcados). E o último jogo da equipa, na Liga dos Campeões frente ao Atl. Madrid, foi exemplo paradigmático disso mesmo, com os ingleses a conseguirem uma vantagem pela margem mínima com um grande golo de bicicleta de Giroud num encontro onde foram sempre superiores em termos táticos. Seguia-se o Manchester United, com a certeza que uma vitória iria recolocar a equipa de novo nos lugares de Champions. Seguia-se Bruno Fernandes, um velho conhecido.

“Tentámos fazer essa transferência, foi logo quando cheguei ao PSG”, recordou Tuchel, sobre um interesse que se manifestou logo em 2018. “O meu primeiro diretor desportivo [Antero Henrique] conhecia-o muito bem. Vimos vários jogos dele. Lutámos muito para criar uma ligação com ele e trazê-lo para a equipa mas ele foi por outro caminho. É uma pena termos de jogar contra ele. Era a grande figura do Sporting, um goleador eficiente, mas também capaz de fazer os que estavam ao lado dele serem mais perigosos. Vir de Portugal, de uma liga competitiva, de um clube grande mas não de um dos campeonatos mais fortes, e dar o salto para um dos maiores clubes da Premier League e da Europa, ter este impacto… Tenho imenso respeito por ele. Tens de ser absolutamente de topo, é algo quase impossível. Teve um impacto indescritível e inacreditável”, explicou.

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Todos esses argumentos continuam intactos mas não estiveram presentes no jogo em Stamford Bridge, com Kanté e Kovacic a conseguirem “secar” o português, que teve um dos encontros com menor influência da época em termos ofensivos ao mesmo tempo que bateu o recorde de ações defensivas esta temporada na Premier League. E se essa solidez defensiva do Chelsea voltou a prevalecer, o Manchester United garantiu um ponto com o nulo.

A primeira parte não teve grandes oportunidades, com a curiosidade de Tuchel e Solskjaer se terem falado com muitos sorrisos à mistura no início do encontro e terem depois mantido um bate-boca mais acalorado no decorrer dos 45 minutos iniciais a propósito de um lance de Hudson-Odoi na área do Chelsea que fez o VAR consultar as imagens no ecrã colocado no relvado para decidir que não houve penálti. Rashford, de livre direto para defesa para a frente de Mendey, deixou a grande ameaça dos red devils no primeiro tempo antes de um remate ao lado de Bruno Fernandes a fechar numa fase em que os visitantes estavam melhor em campo mas pelo meio houve duas tentativas de Ziyech e Hudson-Odoi com perigo mas sem efeitos práticos para a baliza de David de Gea.

No segundo tempo, o Chelsea teve mais bola em ataque organizado mas sem criar muitas ocasiões de perigo apesar dos muitos remates que foi tentando fazer e foi o Manchester United, sobretudo em transições que começaram a sair mais quando a equipa ganhou a batalha do meio-campo, a ter dois remates com muito perigo já na parte final do encontro, de Greenwood e Fred, que passaram muito perto do poste da baliza de Mendy.