Quando a Tesla surgiu e começou a crescer, liderando o mercado dos veículos eléctricos na Europa e EUA, era frequente o surgimento de notícias acerca de incêndios provocados por automóveis alimentados por bateria, acusando-os de terem mais tendência para arder. Estes casos, forjados ou empolados e não suportados pela estatística, foram desaparecendo à medida que os fabricantes tradicionais se começaram a envolver cada vez mais na produção de eléctricos e de híbridos plug-in. Mas eis que surge a decisão, em duas cidades alemãs, de proibir o acesso a parques de estacionamento subterrâneos de modelos em que a bateria é a fonte de energia, total ou parcial.

Segundo a Deutsche Welle, as cidades em causa são Leonberg, perto de Estugarda, e Kulmbach, a Norte de Nuremberga, que decidiram impedir os eléctricos de aceder a parques cobertos devido ao risco de incêndio. O que motivou esta decisão foi um fogo numa das garagens subterrâneas locais, em Setembro de 2020. Mas, curiosamente, o incêndio em causa foi deflagrado por um VW Golf com motor de combustão, que provocou danos que a autarquia avaliou em 195.000€.

Um dos poucos estudos bem documentados sobre o potencial risco de incêndio em veículos eléctricos e com motor de combustão em espaços fechados, realizado em 2020 por uma entidade independente, esteve a cargo do Instituto Federal de Investigação e Testes de Materiais (EMPA), financiado pela Direcção de Estradas Federais da Suíça (ASTRA), que pode ver abaixo. A conclusão dos técnicos suíços foi que os danos serão similares na sua gravidade para os seres humanos e que tanto as garagens como os túneis necessitam de melhor e mais eficaz ventilação em caso de incêndio. Os especialistas aconselharam ainda que os bombeiros tomassem algumas precauções sobre o destino final da água utilizada para combater o fogo, para evitar que os químicos libertados durante o incêndio, tanto num caso como noutro, fossem parar aos lençóis freáticos.

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O Automóvel Clube Alemão (ADAC), agora muito mais activo em relação a este risco, especialmente depois de os construtores locais estarem a apostar fortemente nesta tecnologia, chamou a atenção para o facto de “o risco de incêndio nos carros eléctricos, sem influência exterior, ser muito raro e só devido a um defeito técnico”, realçando até que “os riscos de um veículo eléctrico se incendiar durante a operação de recarga num parque subterrâneo são infundados”.

Por outro lado, ainda segundo a Deutsche Welle, o grupo de trabalho criado para avaliar o risco de incêndio das baterias de iões de lítio e avançar com recomendações técnicas aos responsáveis pelas corporações de bombeiros determinou que “os veículos eléctricos não diferem dos que usam motores de combustão, em termos de risco de incêndio”. Concluiu ainda que “a violência do incêndio tende a ser comparável entre veículos da mesma geração ou dimensões, independentemente do tipo de motorização”. Mas, apesar destes pareceres técnicos, os parques cobertos de Leonberg e Kulmbach continuam interditados a veículos eléctricos e híbridos plug-in.