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“Foi uma sensação de alívio”. Jorge Jesus também percebeu a “explosão” de Pizzi e de todo o banco depois do 2-0 marcado a 12 minutos do final que sentenciou o triunfo do Benfica. Se uma vitória é sempre importante, “esta vitória era ainda mais importante”. Quatro encontros depois, os encarnados voltaram a ganhar, reduzindo a diferença pontual em relação ao FC Porto e também ao líder Sporting. No entanto, a entrevista da véspera de Luís Filipe Vieira à BTV foi ainda tema de conversa. Pouca, por “questões hierárquicas”, mas suficiente.

Soltaram o Pizzi que há dentro deles (a crónica do Benfica-Rio Ave)

“Vou responder como já respondi, não vou comentar a entrevista do presidente. O treinador vai comentar aquilo que o presidente disso, aqui ou noutro lado qualquer? Isso era um princípio de falta de respeito pela hierarquia, não vou fazer isso… Se gostei da entrevista que ele deu, as palavras que ele disse? Gostei. Mas não vou comentar o que é que o presidente disse. Não tenho muito mais para acrescentar, não me compete comentar a figura máxima do Benfica. Se um treinador tem o desplante, aqui ou noutro clube qualquer, de ter um comentário em relação ao seu presidente é porque isto anda tudo ao contrário”, comentou Jorge Jesus na conferência.

“Só pode haver um responsável, sou eu. Mas não vão brincar mais, a mim não me amedrontam”, diz Vieira

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Antes, na zona de entrevistas rápidas, o técnico tinha aproveitado para destacar um ponto que considerou ser a primeira chave para o regresso aos triunfos, antes de explicar o que mudou na equipa para conseguir ser melhor do que o Rio Ave, sobretudo depois do intervalo. “Queria agradecer aos adeptos. Tivemos alguns adeptos a incentivar à saída do Seixal. Precisamos de carinho. Sabemos a pontuação que temos de recuperar. Hoje os jogadores sentiram-no ao sair do Seixal, com algumas dezenas de adeptos. Foi ali que começámos a ganhar o jogo”, disse.

“Mais que tudo, hoje era importante ganhar. A equipa vinha de um jogo da Liga Europa em que podia ter saído com a eliminatória. A equipa sabe que está a começar a respirar, a meter a cabeça fora. Sabíamos que o Rio Ave iria ser complicado, tem uma posse de bola forte, mesmo dentro do espaço defensivo tenta pôr o adversário em dificuldade. Sabíamos que se não fôssemos pressionantes iríamos ter dificuldades em parar o seu jogo, íamos ficar mais nervosos ao não ter tanta bola. Era importante a equipa ter conforto mental, não ficarem nervosos independentemente de não marcarmos na primeira parte. Foi essa a mensagem que passámos e melhorámos na segunda parte. As mudanças também mexeram com o jogo. A equipa está tranquila, sabe o que passou, sabe que está a recuperar, mas também sabe que não tendo vitórias emocionalmente acaba por perder confiança, tanto os jogadores e os adeptos. O treinador não perde, porque sabe que não pode perder, se não está tudo ao contrário. Isso fez com que a equipa tivesse bons momentos”, destacou na zona de entrevistas rápidas da BTV.

“O Camacho, o Gelson e o Mané são três jogadores complicados de parar, pois têm muita mobilidade e são rápidos. Hoje tivemos mais uma dupla nova de centrais, estiveram muito bem. A linha de quatro esteve bem, percebeu o jogo do Rio Ave e são estas vitórias que nos alimentam, que dão confiança. É jogo a jogo que temos de pensar. Na quinta-feira temos mais uma partida muito importante, onde estamos em vantagem mas que ainda não ganhámos. Tudo isso vai fazer com que a equipa vá andando cada vez melhor. Passámos aquele período onde a nossa intensidade de jogo era baixa, estamos a recuperar fisicamente, a pôr mais intensidade e individualmente os jogadores jogam melhor”, acrescentou, admitindo algumas dificuldades na parte final.

“O Rafa estava com muita fadiga e não foi o jogador que normalmente é. Temos de pagar o preço. O Diogo [Gonçalves] estava a jogar bem mas também acusou fadiga. Mudei o Diogo e o Rafa porque fisicamente já se notava alguma falta de intensidade quando tínhamos de recuperar. Com bola ainda se motivavam mas depois voltar ao posicionamento era mais difícil. É mais fácil quando estás a ganhar, até nas substituições. Foi isso que fizemos. O Seferovic fez um golo, podia ter feito três ou quatro, em oportunidades fáceis. O Pizzi também teve mais duas fáceis além do golo que marcou. Parabéns aos jogadores porque sentiram-se bem”, rematou na flash interview, antes de explicar na conferência de imprensa o porquê dos últimos jogos no banco para o Campeonato de Pizzi.

“Tem muito a ver também com a gestão que eu faço, até ao Arsenal estávamos a jogar de três em três dias, tenho de fazer uma gestão a pensar no próximo jogo. Por exemplo, hoje jogou de princípio o Adel [Taarabt] porque já estava a pensar que com o Estoril vai jogar o Pizzi. Comigo não há jogadores que tenham direitos adquiridos na equipa, não existe isso. Sejam mais novos, mais velhos, nem que estejam há dez ou 15 anos no clube, não há direitos adquiridos porque há os interesses da equipa. Depois tenho de tomar decisões, umas que agradam a uns, outras que agradam a outros, porque gostam todos de jogar e quando se joga no Benfica, no FC Porto ou no Sporting há mais dificuldades em jogar sempre porque a concorrência é maior. É isso que acontece com o Pizzi e com outros. O Julian [Weigl] foi eleito o melhor jogador e esteve antes também esteve sem jogar”, salientou.