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Soltaram o Pizzi que há dentro deles (a crónica do Benfica-Rio Ave)

Este artigo tem mais de 1 ano

Rio Ave podia ter chegado ao intervalo na frente mas foi depois atropelado por um Benfica com a atitude, a entrega e a qualidade de Pizzi mesmo antes de entrar e festejar como nunca um golo (2-0).

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Pedro Fiuza

Pedro Fiuza

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Do “Vamos arrasar” e “Vamos jogar o dobro ou triplo” ao “vamos jogo a jogo”. A época do maior investimento do Benfica foi-se transformando com o tempo na época com menores resultados dos últimos anos, adensada a partir de meio de janeiro quando houve o principal surto de Covid-19 no Seixal já depois de vários casos no final do ano de 2020. Há três semanas, e pela primeira vez, a pandemia deixou de ser problema no presente e passou a ser uma questão a condicionar o futuro no que se seguia. Como dizia Luís Filipe Vieira este domingo, na primeira entrevista após ser reeleito, “os jogadores corriam entre nove a 11 ou 12 quilómetros e passaram a não correr mais do que sete quilómetros”. Fez mossa, superada aos poucos. No seu caso, ainda continua a ter de parar para subir um lanço de escadas onde antigamente corrida; no caso de Weigl, um dos primeiros jogadores do plantel a ficarem infetados ainda em novembro, já chegou aos 13 quilómetros no último jogo. Outros aos dez a 12 quilómetros.

Benfica volta aos triunfos frente ao Rio Ave com golos de Seferovic e Pizzi e fica mais perto do terceiro lugar

O Benfica é uma equipa que tenta, literalmente, recuperar o fôlego, mas que enfrenta um problema: deixou de ter o seu ritmo de corrida e passou a ter de andar ao ritmo que a corrida onde está obriga. Até ao final do ano civil, foi um formação de séries: cinco vitórias na ressaca da eliminação na terceira pré-eliminatória de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões, duas derrotas consecutivas com Boavista e Sp. Braga (ambos com três golos sofridos por jogo), quatro triunfos seguidos. Em 33 pontos possíveis, os encarnados fizeram 27. Não eram líderes, estavam longe de jogar “o dobro ou o triplo”, só em dois jogos em específico no início “arrasaram” (Famalicão e Rio Ave, ambos fora), mas seguiram numa carreira regular. Em 2021, desde o empate cedido nos Açores frente ao Santa Clara, ganhou duas vezes, empatou seis e perdeu uma. Pior: nas igualdades, ou não houve golos ou esteve em vantagem de não segurou. Em 27 pontos possíveis, os encarnados fizeram 12. E tudo mudou.

No final de fevereiro, o Benfica, sem títulos, ficou resumido a dois objetivos em 15 ou 16 encontros até ao final da temporada: chegar aos lugares de acesso à Champions e ganhar a Taça de Portugal. A Liga dos Campeões foi uma miragem, a Liga Europa um ciclo de oito jogos onde uma só derrota deitou tudo a perder, a Taça da Liga um tiro ao lado, a Supertaça uma desilusão (resultado e exibição). E tudo com os jogadores pedidos por Jorge Jesus, à exceção de um, Vertonghen, uma das baixas de última hora para o encontro com o Rio Ave, que não era bem o que o técnico pretendia mas que, perante a impossibilidade de garantir o uruguaio Cabrera (Espanyol), foi recebido de braços abertos. Numa afirmação que não terá caído bem a todas as pessoas do clube, o treinador recusou qualquer responsabilidade própria, dos jogadores ou da estrutura, atirando tudo para cima do surto de antes do jogo com o Arsenal. Vieira atribuiu a principal culpa à pandemia mas admitiu que não explica tudo. Nos factos, com maior ou menor peso da Covid-19 na quebra, ficava uma reta final de temporada sem qualquer margem de erro.

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“O Benfica tem duas competições, tem ainda muito para recuperar e ganhar. No Campeonato há muita coisa para ganhar mas vai ser jogo a jogo. A prioridade é passar o rival que está à frente, tentar passar o terceiro e o segundo e, quando se chegar ao segundo, analisar se ainda existe capacidade pontual para chegar ao primeiro. Não estamos nem em primeiro nem segundo, temos de ir à procura dos rivais e só dá para fazer contas jogo a jogo”, assumira Jesus antes do jogo desta noite. “No futebol, o próximo jogo é aquele que se quer mais quando não se ganha. Nos momentos difíceis é que se constroem os grandes jogadores e treinadores. Temos dado alguns sinais de melhoria e esperamos que possa continuar. Sabemos que estamos num momento difícil mas estamos preparados para ultrapassar esta crise de resultados. Trabalhámos nos treinos não só o aspeto físico mas também a parte psicológica, foi uma equipa alegre, que quer mudar o último resultado”, reforçara nessa conferência só para a BTV.

Apesar dos resultados, os jogos com o Arsenal mostraram essa melhoria, não só a nível exibicional mas também na parte física, técnica e tática. Mas, olhando para o Campeonato, a retoma estava ainda por chegar: a vitória frente ao Famalicão foi assente em 30 minutos a todo o gás no início que não tiveram continuidade, o empate com o Moreirense teve um Benfica com muito mais posse mas sem capacidade para criar muitas oportunidades após sofrer o empate em cima do intervalo e o nulo em Faro voltou a ter uma exibição aquém das expetativas de quem já projetava uma recuperação total. Seguia-se o Rio Ave. E um teste à extensão do que são hoje as águias na Liga.

O teste foi superado. Com uma nota mediana na primeira parte, onde à exceção dos 15 minutos iniciais a formação visitante esteve sempre mais confortável, ativa e perigosa em campo, com uma nota elevado no segundo tempo – sinal de que, apesar do visível desgaste de unidades como Rafa, Diogo Gonçalves ou Seferovic, a equipa começa a ter mais pulmão para “fazer” todo o encontro. E se Jesus no final da partida destacou o apoio dos adeptos à porta do Seixal, dizendo que foi ali que os encarnados começaram a ganhar o jogo, a nota dominante acabou por ser a forma abnegada, intensa, dedicada e personalizada como entrou após o intervalo, corporizando aquele que continua a ser a grande referência a todos os níveis do Benfica: Pizzi. Sem o médio em campo, a equipa foi como ele, na entrega, na atitude, no carácter; com ele, teve futebol, velocidade, qualidade e baliza. A forma como festejou o 2-0, como se fosse o encontro de uma vida, é o retrato perfeito dessa vontade de redenção.

Com Vertonghen e Darwin Núnez a serem baixas de última hora por lesão juntando-se ao castigado Otamendi, Jesus mudou três nomes, dois posicionamentos e um esquema tático para a receção a uma equipa de Vila do Conde longe da época de fulgor que teve com Carvalhal em 2019/20: Jardel, Everton e Waldschmidt voltaram à titularidade, Taarabt começou mais recuado com Rafa colocado na direita e regressou o habitual 4x4x2, desta vez sem dois avançados puros mas 1+1 com o alemão nas costas de Seferovic. Resultados práticos nos 15 minutos iniciais? Nenhum. Mas a entrada conseguida parecia dar outra confiança à equipa encarnada para se ir soltando, com Seferovic a cabecear para defesa de Kieszek após grande jogada de Diogo Gonçalves pela direita (8′) e com Everton a acertar na trave num fantástico remate após diagonal da esquerda para o meio (9′).

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do Benfica-Rio Ave em vídeo]

O Benfica conseguia ser melhor em algumas ações que faziam toda a diferença, da capacidade de transição que ia “secando” as saídas das flechas ofensivas e a construção de Francisco Geraldes ao jogo entre linhas de Waldschmidt nas costas de Pelé e Filipe Augusto, que permitia criar desequilíbrios no último terço onde Seferovic continuava a tentar movimentos de rutura entre central e lateral. No entanto, e a partir do momento em que o Rio Ave ganhou mais critério na saída a partir de trás e saltou essa primeira linha de pressão, as características da partida mudaram por completo, com os visitantes a criarem três boas ocasiões para ficarem na frente do marcador: Rafael Camacho arriscou a meia distância mas saiu fraco (16′); Carlos Mané aproveitou uma bola não cortada por Lucas Veríssimo para rematar rasteiro para grande defesa de Helton Leite para canto (20′); e Gelson Dala, num trabalho individual na área em poucos metros, acertou no ferro (21′). A defesa do Benfica tremia como o poste. E muito.

Os encarnados conseguiram depois ter mais bola mas poucas vezes souberam o que fazer com ela. Muitos passes falhados, falta de linhas de passe quando a posse estava no lateral ou no médio de construção, movimentação quase nula para procurar o espaço. Everton, que no lance seguinte a um cruzamento que acabou nas mãos de Kieszek foi lá atrás evitar que Carlos Mané surgisse isolado na área, era o mais inconformado a par de Taarabt e de Diogo Gonçalves mas o Benfica era uma equipa curta e foi o Rio Ave a acabar da melhor forma antes do intervalo, vendo Francisco Geraldes atirar para defesa de Helton Leite na melhor combinação ofensiva da primeira parte entre Sávio e Camacho (40′) e o mesmo Camacho rematar ao lado na área após tirar o guarda-redes do lance (42′).

O Benfica, à semelhança do Rio Ave, não mexeu ao intervalo. Mas o Benfica, ao contrário do Rio Ave, veio muito melhor na segunda parte. Mais intenso, mais rápido, a fazer rolar mais a bola e a mexer à procura do espaço, mais capaz nas zonas de pressão adiantadas. E as oportunidades foram-se sucedendo com uma cadência de dois em dois minutos, começando em remates desenquadrados de Grimaldo e Waldschmidt e terminando com duas grandes defesa de Kieszek com Seferovic (num assistência de Weigl após interceção bem feita em terrenos adiantados) e Waldschmidt (jogada de combinação) a surgirem isolados na área. O golo parecia algo inevitável e não tardou muito a chegar, num lance em que Everton conseguiu ser mais forte do que Pelé à entrada da área, assistiu com um ligeiro toque Seferovic que estava em jogo por Sávio e o suíço rematou sem hipóteses de pé esquerdo (59′). 

O jogo não estava decidido. Mas o jogo tinha mudado de vez. E o jogo só poderia aumentar na baliza do Rio Ave, face à quebra dos vila-condenses no segundo tempo, com muitas bolas perdidas ainda no primeiro terço (também pela pressão feita pelos encarnados) e a falta de capacidade de esticar o jogo até às unidades da frente, fosse em ataque organizado, fosse em transições. O Benfica tinha a vitória na mão e, mostrando que a condição física da equipa está mesmo a crescer, terminou da melhor forma e tendo Pizzi como principal protagonista, saindo do banco para assistir Seferovic numa oportunidade onde falharia depois a recarga sozinho na área (70′) e para marcar o 2-0 que resolveu o encontro, após combinação com Weigl e Everton antes de um míssil em zona frontal (78′), ficando ainda muito perto do bis a dois minutos do final com um remate que saiu por cima (88′).

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