A última semana tem sido de revelações na Fórmula 1. De forma natural, a pouco mais de um mês do arranque do novo Campeonato do Mundo, as equipas têm divulgado, a conta-gotas, os novos carros para 2021. E se os mais puristas da modalidade, os mais interessados na componente mais mecânica do automobilismo, olham para as diferenças no chassis, para as alterações na unidade motriz e para a aerodinâmica dos veículos, a verdade é que a maioria dos adeptos olha para o design. Design que, até esta quinta-feira, não tinha trazido grandes surpresas.

O Mercedes vai manter o negro que introduziu na época passada, numa decisão alinhada com os movimentos anti-racistas que deixou de parte o prateado; a McLaren continua com o laranja berrante; a AlphaTauri pouco muda desde 2020, prosseguindo com o azul e branco, tal como a Red Bull e a Alfa Romeo fazem poucas alterações; a Aston Martin de Vettel, antiga Racing Point, aposta previsivelmente no verde, enquanto que a Alpine de Alonso, antiga Renault, terá um carro em tons de azul com detalhes em vermelho. A surpresa chegou com a Haas.

Esta quinta-feira, a Haas — que em 2020 conquistou apenas três pontos, a classificação mais baixa desde que entrou na Fórmula 1 há cinco anos — revelou o carro que será pilotado por Mick Schumacher e Nikita Mazepin a partir do próximo mês de março. Se na época passada (com Kevin Magnussen e Romain Grosjean) o Haas tinha tons de branco, preto e vermelho, esta temporada será branco, azul e vermelho. Ou seja, as cores da bandeira russa. E é aqui que começa a polémica.

As cores do novo Haas justificam-se com o facto de a equipa ter anunciado recentemente um acordo de parceria com a Uralkali, uma empresa russa de produção de fertilizantes. Se o negócio já era polémico porque um dos donos da empresa é Dmitry Mazepin, um dos homens mais ricos da Rússia e pai do piloto Nikita, torna-se ainda mais depois de terem sido reveladas as cores do VF21. Isto porque o Tribunal Arbitral do Desporto (TAD) decidiu no passado mês de dezembro que a Rússia está banida de todas as competições desportivas internacionais durante os próximos dois anos devido à utilização de doping financiada pelo Estado nos Jogos Olímpicos de inverno em 2014, organizados em Sochi, território russo. O castigo — que acabou por ser mais reduzido do que o proposto pela Agência Mundial Anti-Doping, que pedia quatro anos de suspensão — significa que a Rússia, com a sua bandeira e o seu hino nacional, não estará presente nos Jogos Olímpicos de Tóquio e no Mundial de futebol em 2022.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Formula 2 Championship - Round 11:Sakhir - Practice & Qualifying

O russo Nikita Mazepin estava na F2 na época passada e subiu este ano à F1 através da Haas

Ora, ainda que a suspensão tenha sido contornada nos Jogos Olímpicos, onde os atletas russos vão competir enquanto Comité Olímpico Russo, sem as cores nem o hino do país, a verdade é que não existem grandes alternativas nas outras modalidades e competições. Nikita Mazepin, por exemplo, não irá correr pela Rússia, não poderá aparecer sob a bandeira russa se chegar a um pódio e não vai ouvir o hino do país se vencer uma corrida. Mas, à partida, nada parece impedir que o novo Haas tenha a bandeira russa no seu design. “Não entendo como é que conseguiram pôr bandeiras russas claras em ambos os lados da asa dianteira, na ponta do ‘nariz’, na cobertura do nariz e na área atrás dos pneus da frente”, foi um dos comentários que surgiu nas redes sociais depois de as contas oficiais da Fórmula 1 e da Haas terem revelado o carro durante a manhã desta quinta-feira.