1 de março de 1982. O Sporting de Malcolm Allison, na liderança do Campeonato e ainda sem derrotas, visitava o Boavista no Bessa. Dois golos de Coelho, avançado que somou oito internacionalizações pela Seleção até ao final da carreira, anularam o golo de Lito e garantiram a vitória axadrezada. À 22.ª jornada, o Sporting perdia pela primeira vez em 1981/82. E terminava um recorde que durou até esta sexta-feira.

Rapaziada, oiçam bem o que o Coates diz e gritem todos com ele (a crónica do Sporting-Santa Clara)

Com a vitória frente ao Santa Clara em Alvalade, a equipa de Rúben Amorim continua invicta na Primeira Liga esta temporada e escreveu uma nova página na história leonina: o Sporting de 2020/21 é já o único do universo dos leões a terminar as primeiras 22 jornadas de um Campeonato sem sofrer qualquer derrota. Um augúrio positivo, não só pelo prolongar da invencibilidade, mas também porque o Sporting de Malcolm Allison foi campeão nacional naquela época de há quase 40 anos.

O recorde foi atingido num jogo em que os leões acabaram por assinar uma das exibições mais pobres da temporada, com pouquíssimo fluxo ofensivo e movimentações muito lentas que permitiram ao Santa Clara lutar pelo resultado até ao apito final e marcar já nos últimos minutos. Novamente, e tal como tinha acontecido em Barcelos contra o Gil Vicente, valeu Coates no período de descontos, a dar a vitória à equipa de Rúben Amorim com um cabeceamento forte depois de um cruzamento de João Mário. O central uruguaio chegou aos seis golos esta época, igualando o melhor registo pessoal que tinha sido alcançado em 2019/20, e garantiu três pontos no tempo extra pela quarta vez desde que chegou a Portugal. Na flash interview, reconheceu que o grupo cometeu “alguns erros”.

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“Até o árbitro apitar o jogo não acaba. É até ao fim. Por sorte, conseguimos os três pontos. Há que dar mérito ao adversário, porque tentou jogar de igual para igual. Cometemos alguns erros mas até que o árbitro apite, há sempre jogo. O Santa Clara fechou bem os nossos caminhos mas a equipa está de parabéns pela vitória”, disse o capitão leonino, que explicou ainda que o festejo efusivo depois do golo que marcou justifica-se pela “união do grupo”. “Isto é trabalho de toda a equipa, tanto de jogadores como staff, as pessoas na Academia, os roupeiros… É um conjunto e a equipa às vezes também ajuda nisso”, acrescentou o central, que é já o defesa com mais golos no Campeonato, à frente dos três de Ricardo Mangas e de Pedro Porro.

Rúben Amorim, que completou esta sexta-feira um ano desde que chegou a Alvalade e acabou por assinalar esse aniversário ao renovar contrato com os leões, indicou que a equipa começou o jogo com “alguma passividade”. “Não foi o melhor dos nossos dias. Tivemos alguma passividade em muitos momentos do jogo e a reação ao golo veio provar isso, porque depois acelerámos o jogo, sentimo-nos apertados. Estes jogos sempre a vencer e sem perder acabam por dar isto. Conseguimos fazer golo na primeira oportunidade e deixámos passar o tempo. Vitórias trazem isso e não estamos preparados, temos de melhorar. Depois vem a reação da equipa e aí não tem a ver com técnica nem com tática, tem a ver com o coração que aparece muitas vezes e que hoje apareceu outra vez”, atirou o treinador.

“Foi uma exibição menos conseguida. Sabemos o grupo que tempos, a juventude que temos. A equipa estava algo ansiosa, passiva. Temos de melhorar. O treinador também tem de ajudar a passar estes momentos. Mas mesmo assim fomos consistentes, sofremos um golo de ressaltos mas deixámos o jogo correr”, disse Amorim, que justificou depois as substituições que fez ainda a ganhar, ao tirar Nuno Mendes, Bruno Tabata e Tiago Tomás para lançar Matheus Reis, Daniel Bragança e Nuno Santos. “Não estávamos a conseguir segurar a bola e o Dani dá-nos isso. O Nuno não estava bem e tínhamos de mudar alguma coisa. São juniores, percebíamos que precisávamos de outro jogador e o Matheus estava preparado, é um grande reforço. O Dani merece jogar mais, dá-nos mais bola, mas isso é culpa do treinador. Depois entrou o Nuno Santos para dar profundidade e o Jovane foi para meter mais gente na frente”, explicou.

Sobre o recorde com quase 40 anos quebrado esta sexta-feira, Rúben Amorim não teve muito a dizer e apontou baterias à próxima jornada: “Sinceramente, só quero ganhar ao Tondela. Está muito difícil ganhar cada jogo e trocava isso por uma vitória ao Tondela”. Certo é que, com os três pontos conquistados contra o Santa Clara, o Sporting garantiu desde já que vai pelo menos manter as distâncias para os principais perseguidores. Provisoriamente, e até Sp. Braga, FC Porto e Benfica entrarem em campo nesta jornada, tem agora mais 12 pontos do que os minhotos, mais 13 do que os dragões e mais 16 do que os encarnados.