Moçambique recebeu esta segunda-feira mais 484 mil doses de vacina contra a Covid-19, no âmbito da iniciativa Covax e das relações de cooperação com a Índia.

Trata-se do segundo lote de vacinas que Moçambique recebe, das quais 384 mil doses são da iniciativa Covax e as restantes 100 mil doadas pelo governo indiano.

As vacinas chegaram esta segunda-feira ao Aeroporto Internacional de Maputo, numa cerimónia simbólica dirigida pelo primeiro-ministro moçambicano, Carlos Agostinho do Rosário, e que contou com a presença dos parceiros de cooperação.

Estas doses de vacinas que acabamos de receber serão utilizadas de forma transparente e criteriosa, respeitando o plano nacional de vacinação contra a Covid-19″, declarou o primeiro-ministro, durante o evento, agradecendo a solidariedade da comunidade internacional.

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O embaixador da União Europeia em Moçambique, António Sánchez-Benedito Gaspar, afirmou que a doação, no âmbito do mecanismo Covax, chega num “momento muito oportuno”, referindo que a comunidade internacional está unida para identificar vacinas “disponíveis e seguras“.

“Durante o último mês de fevereiro as vacinas chegaram a milhões de pessoas em diferentes países. Em Moçambique [a vacina chega] num momento muito oportuno após a apresentação do plano de vacinação”, disse António Sánchez-Benedito, considerando a iniciativa a “maior campanha de imunização da história da humanidade“.

O mecanismo Covax visa fornecer este ano vacinas contra a Covid-19 a 20% da população de quase 200 países e territórios participantes e dispõe de um financiamento que permite a 92 economias de baixo e médio rendimento acederem às vacinas.

Fundada pela Organização Mundial de Saúde, em parceria com a Vaccine Alliance, a Covax tem acordos com fabricantes para o fornecimento de dois mil milhões de doses em 2021 e a possibilidade de comprar ainda mais mil milhões.

A vacina doada a Moçambique pela Índia, designada Covishield, foi fabricada pela farmacêutica Serum Institute of India e é resultado das “boas relações” entre os dois Estados, afirmou durante o evento Shri Ankan Banerjee, alto comissário daquele país asiático em Maputo.

O primeiro lote que o país obteve foi da vacina Verocell, fabricada pela farmacêutica chinesa Sinopharm, e que resultou de uma doação, em fevereiro, do Governo de Pequim para Moçambique, no âmbito da cooperação entre os dois Estados.

O plano de vacinação lançado esta segunda-feira está estimado em quase dois mil milhões de meticais (23 milhões de euros) e vai dar prioridade aos profissionais que estão na linha da frente do combate à epidemia.

Moçambique tem um total acumulado de 693 mortes e 62.520 casos, dos quais 74% recuperados e 160 internados (a maioria em Maputo).

A pandemia de Covid-19 provocou, pelo menos, 2.588.597 mortos no mundo, resultantes de mais de 116,4 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Ministro da Saúde foi primeiro a ser vacinado em Moçambique

O ministro da Saúde foi o primeiro moçambicano a ser vacinado no país contra a Covid-19, no âmbito da campanha que arrancou esta segunda-feira em todo território.

“A vacina que estamos a administrar esta segunda-feira é eficaz em 79,3 % para evitar que uma pessoa com a infeção desenvolva sintomas leves e, para outro caso, em que a pessoa já tenha sintomas leves, ela é em 100% eficaz para evitar sintomas graves”, disse à Lusa Armindo Tiago, momentos após ser vacinado no Hospital Central de Maputo, numa cerimónia simbólica que marca o arranca da campanha.