A vitória do Manchester United no Etihad Stadium foi a resposta certa, no momento certo e à hora certa às críticas de uma equipa que perdeu apenas dois dos 19 jogos realizados em 2021 mas que continua à procura ainda de uma série mais regular de resultados que permita consolidar a evolução da equipa. No entanto, foi apenas um jogo, um dérbi com o Manchester City, que consolidou uma posição entre as quatro vagas de acesso à Liga dos Campeões da Premier. Seguia-se a Liga Europa, onde os red devils surgem na teoria (e nas apostas) como um dos favoritos à vitória após ter chegado às meias na última época. E seguia-se mais um teste a Bruno Fernandes, frente a um AC Milan a renascer das cinzas numa Serie A que funcionou como o seu primeiro palco de apresentação ao mundo.

Bruno Fernandes, o mais influente da Premier League: português marca e United quebra série vitoriosa do City

“Era muito jovem, tive que completar o meu crescimento, de um país para o outro. Em Itália, não consegui afirmar-me totalmente porque a posição de médio atacante no vosso futebol não tem uma vida fácil”, admitiu em entrevista à Gazzetta dello Sport, onde colocou o enfoque na intensidade com que se joga como fator distintivo do futebol em Inglaterra e a parte tática em Itália, “que é uma universidade”. E entre o mérito do FC Porto na passagem frente à Juventus e a defesa de Cristiano Ronaldo, o médio analisou também aquele que foi um ano de 2020 “especial”. “Do ponto de vista profissional, foi o melhor ano de sempre: a transferência para o Manchester United, a Liga inglesa, 12 meses de alegria no relvado. Fora disso foi complicado, com a distância da família, a proteção devido ao vírus, a dificuldade em manter crianças pequenas em casa que não entendem as restrições”, destacou.

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Como salientava esta quarta-feira o Eurosport, Bruno Fernandes tornou-se no jogador que dá sempre uma chance ao Manchester United. E nem mesmo as críticas ao facto de ter menor influência nas principais partidas da Premier League parecem afetar o internacional português, que se tornou à condição no jogador com mais presença em golos e assistências esta época antes da goleada do Tottenham ao Crystal Palace com Harry Kane em destaque. “As pessoas vão sempre queixar-se de tudo. Hoje vai continuar a dizer-se que o Bruno nunca marca nos grandes jogos, vão pôr lances de bola corrida, vão dizer que este golo não conta por ter sido um penálti. Mas, para nós, o mais importante é ganhar”, comentou ao canal do clube depois do 2-0 no dérbi de Manchester com o City.

E foi nesse espírito que Bruno Fernandes voltou a ser decisivo esta noite frente ao AC Milan, dando um passo atrás nos terrenos que costuma ocupar para encontrar o espaço que lhe faltava e fazer o fantástico passe que originou o primeiro golo do encontro por Diallo, já depois de ter assistido de cabeça na sequência de um canto para Maguire ter aquele que irá figurar como um dos grandes falhanços da temporada a meio metro da linha de golo. Depois, e tendo em vista o próximo encontro frente ao West Ham, o médio foi poupado por Solskjaer, a equipa foi perdendo capacidade em termos ofensivos e o AC Milan fez mesmo o empate em período de descontos (1-1).

Curiosamente, o primeiro sinal de perigo veio de um português mas do AC Milan, Rafael Leão, titular na frente de uma equipa desfalcada de Ibrahimovic e que tinha também Diogo Dalot no lado esquerdo da defesa: a defesa da casa perdeu por momentos a visão do avançado português, ganhou a profundidade em velocidade para bater Dean Henderson mas o lance foi bem invalidado por posição irregular (5′). Martial ainda obrigou Donnarumma a uma intervenção mais apertada a desviar a bola por cima da trave (8′) mas voltaram a ser os italianos a chegar com perigo à baliza dos red devils, com Kessié a receber à vontade num lançamento lateral, a preparar o remate e a não dar hipóteses em mais um golo anulado desta vez pelo VAR por controlo com o braço no início da jogada (11′).

O AC Milan foi melhor em quase toda a primeira parte, muito bem organizado em campo, a neutralizar todos os perigos potenciais do Manchester United com Meïté e Kessié a pisarem os mesmos terrenos de Bruno Fernandes e Kjäer em cima de Martial, e com capacidade para esticar jogo na frente, como aconteceu à passagem da meia hora com Saelemaekers a entrar na área pela direita, a fugir a Matic e a rematar para defesa de Henderson. O intervalo chegaria com o nulo mas antes Maguire protagonizou aquele que é um forte candidato a falhanço da época, a acertar no poste a meio metro da linha de golo após um desvio de cabeça de Bruno Fernandes num canto (39′).

Martial encaminhou-se com algumas dificuldades para o túnel de acesso aos balneários e acabou mesmo por não regressar para o segundo tempo, dando lugar ao jovem Amad Diallo, marfinense contratado à Atalanta no verão, que chegou em janeiro e que levava apenas alguns minutos nos jogos com a Real Sociedad dos 16 avos. Foi uma alteração forçada mas que acabou por mudar a história da partida: na sequência de uma entrada melhor da formação inglesa, mais agressiva e com outra velocidade, Bruno Fernandes viu a entrada do avançado no meio dos centrais, colocou a bola com um passe de excelência e Diallo fez o chapéu de cabeça a Donnarumma (50′).

Diallo tornou-se o quarto mais novo de sempre a marcar pelo Manchester United, atrás de Greenwood, Rashford e George Best, e desfez o nó do nulo num encontro que parecia estar mais para o AC Milan do que para os ingleses, atuais vice líderes da Premier League. Mas nem por isso as contas estavam resolvidas: apesar de uma boa oportunidade de Daniel James, a desviar no segundo poste ao lado após grande jogada de Greenwood na direita (72′), foi o conjunto transalpino a forçar mais junto da área contrária, a ter uma excelente chance por Krunic a desviar de cabeça ao lado depois de ganhar a frente a Wan-Bissaka (64′) entre remates que não saíram nas melhores condições de Saelemaekers (65′) e Brahim Díaz (71′), sempre sem resultados práticos até ao segundo minuto de descontos, quando Kjäer aproveitou um canto ganho por Rafael Leão para empatar de cabeça.