Até ao minuto 75, o Sporting teve uma oportunidade flagrante por Tiago Tomás em cima do intervalo, teve uma outro boa chance também pelo avançado na área e pouco mais. Começava aqui um novo jogo. Por mais paradoxal que possa parecer, os leões têm trabalhado semana após semana na procura da melhor forma de chegar ao golo mas é no último quarto de hora, já com substituições pelo meio tentando perceber o que o jogo pede, que vão continuando a somar os três pontos. E foi mesmo o jovem jogador de 18 anos a assumir o papel de herói, minutos antes de um desfecho em que se começava a equacionar a possibilidade de Coates ir lá à frente desequilibrar.

Tiago merecia o golo. Tiago merece tudo (a crónica do Tondela-Sporting)

Ao todo, o Sporting leva já um total de 17 golos marcados nos últimos 15 minutos (mais descontos), o que perfaz 38% de todos os golos que o conjunto verde e branco tem no Campeonato, mais seis do que o FC Porto, mais do dobro do Benfica (nove) e quase o triplo do Sp. Braga (seis). Para Tiago Tomás, este foi o primeiro golo decisivo nesse período, após ter marcado o único golo da vitória frente ao Aberdeen na primeira partida oficial da época. E é também por isso que o Sporting se tornou a sexta equipa a chegar à 23.ª ronda sem qualquer derrota, na primeira vez dos leões depois de FC Porto em 2003/04, 2010/11, 2012/13 e 2017/18 e Benfica em 2012/13.

Para isso muito contribui também a defesa, que mais uma vez voltou a não sofrer golos. Em 23 encontros, a equipa verde e branca consentiu apenas 11 golo, com uma média inferior a 0.5 por jogo, naquele que é o melhor registo de sempre neste ponto em particular superando os 12 de 1970/71 e 1996/97 e os 13 de 1994/94 e 2006/07, a época em que o Sporting conseguiu a melhor média de golos consentidos no Campeonato (15 em 30 jogos). Em paralelo, o conjunto de Alvalade tem o segundo melhor registo de encontros seguidos sem perder, a três da série de 26 na temporada de 2001/02 (última que deu título) e igualando a marca de 1999/00 (o penúltimo título).

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“Acho que foi um jogo de sentido único. É difícil atacar contra um bloco tão baixo, não rematámos muito, mas conseguimos chegar mais com bola. Tivemos alguma indefinição, depois alguma desconfiança com algumas perdas de bola, mas é uma vitória claramente justa com um golo de um rapaz que se farta de trabalhar, que ainda falha golos que não devia falhar. É um prémio para ele. Os pontos estão muito caros, as equipas estão muito motivadas contra nós. O Tondela defendeu bem, com muitos jogadores mas acabámos por fazer o golo”, comentou Rúben Amorim na zona de entrevistas rápidas, antes de explicar também as substituições que foi fazendo.

“Todas as equipas também precisam de pontos, na luta pela manutenção há muitas equipas e todas estão muito perto. É uma luta interessante, jogos muito difíceis porque todas as equipas querem ganhar ao Sporting neste momento. Passamos um pouco pelos pingos da chuva, quando não se pode jogar bem ganha-se mas hoje fomos uma equipa que quis ganhar o jogo. Trocas? O Porro estava com dificuldade porque um dos alas era só para marcá-lo e Tabata com um pé esquerdo ali muda completamente. O Jovane é muito forte no 1×1, Yohan Tavares já estava cansado e viu-se em alguns lances. O Dani [Bragança] tem capacidade de arranjar espaços com blocos mais baixos. Acabaram por mexer com o jogo e foi um bom resultado para nós”, salientou.

“Uma volta na liderança? Não dá títulos, o único título que temos é a Taça da Liga. Temos que ganhar jogos. Podemos manter a nossa posição e a vantagem, basta ganhar os nossos jogos e não temos de pensar em mais nada. Temos de crescer, nota-se alguma juventude e a dificuldade em gerir certos momentos do jogo. Faz parte, sabendo que o fim do Campeonato é mais em modo sobrevivência do que em modo crescimento”, concluiu o técnico.