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Arquitetos franceses Anne Lacaton e Jean-Philippe Vassal vencem prémio Pritzker 2021

Em vez de "demolir, remover ou substituir" — por exemplo, zonas de habitação social —, "acrescentar, transformar e reutilizar". A sustentabilidade arquitetónica é o traço dos vencedores do Prizker.

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Para o júri, o percurso de Anne Lacaton e Jean-Philippe Vassal mostra que "a arquitetura pode ter um grande impacto nas nossas comunidades e contribuir para a compreensão de que não estamos sozinhos"

JOEL SAGET/AFP via Getty Images

Para o júri, o percurso de Anne Lacaton e Jean-Philippe Vassal mostra que "a arquitetura pode ter um grande impacto nas nossas comunidades e contribuir para a compreensão de que não estamos sozinhos"

JOEL SAGET/AFP via Getty Images

O prémio Pritzker 2021 foi atribuído à dupla de arquitetos franceses Anne Lacaton e Jean-Philippe Vassal, anunciou esta terça-feira a organização. O galardão, o mais importante na área, tinha sido vencido em 2020 por uma dupla de arquitetas, Yvonne Farrell e Shelley McNamara. No passado, já foi atribuído a Eduardo Souto de Moura, Richard Meier, Oscar Niemeyer, Oscar Niemeyer e Álvaro Siza Vieira, entre outros.

Distinguidos em 2019 com o prémio europeu Mies van der Rohe e, em 2016, com o prémio Carreira da Trienal de Arquitetura de Lisboa, Lacaton & Vassal “não apenas definiram uma abordagem arquitetónica que renova o legado do modernismo, mas também propuseram uma definição adaptada da própria profissão da arquitetura”, justifica o júri, no comunicado em que revela os vencedores deste ano.

No mesmo comunicado, citado pela estação pública norte-americana de media NPR, o júri refere ainda: “O trabalho de Anne Lacaton e Jean-Philippe Vassal reflete o espírito democrático da arquitetura. Através da sua crença de que a arquitetura é mais do que apenas edifícios, através dos temas que abordam e das propostas que materializam, através de um percurso trilhado que é responsável e em alguns momentos solidário, mostram que a melhor arquitetura pode ser humilde e é sempre pensada, respeitosa e responsável”.

Mostraram que a arquitetura pode ter um grande impacto nas nossas comunidades e contribuir para a compreensão de que não estamos sozinhos”, notou ainda o júri.

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Com um atelier fundado em 1987, em Paris, Lacaton e Vassal são os 49.º e 50.º laureados com o prémio de arquitetura Pritzker, considerado o mais importante do meio, tendo completado mais de 30 projetos pela Europa e África Ocidental.

“Há muita violência no urbanismo. Tentamos trabalhar com bondade”

Ao longo dos últimos 30 anos, Anne Lacaton e Jean-Philippe Vassal trabalharam em projetos célebres como a extensão e conversão do Palácio de Tóquio em Paris, um edifício dedicado à arte moderna e contemporânea que passou desde 2002 a albergar a maior galeria de exposições temporárias de arte contemporânea de França. Mas parece ter sido a coerência permanente na abordagem arquitetónica da dupla, notória quer no desenvolvimento de projetos famosos quer em projetos de remodelação de habitações sociais, zonas residenciais ou edifícios comerciais, que valeu o Pritzker à dupla.

O Palácio de Tóquio, em Paris

Getty Images

O princípio basilar seguido por Anne Lacaton e Jean-Philippe Vassal tem sido a oposição à ideia de que são necessárias demolições totais para reformular, converter e modificar edifícios, casas e complexos residenciais. É uma espécie de princípio arquitetónico pacifista mas também ecologista que os move, dado que entendem que na grande maioria dos projetos as reformulações arquitetónicas necessárias podem e devem ser contidas, económicas nos meios e recursos de transformação empregues.

Vassal e Lacaton conheceram-se quando eram apenas estudantes de arquitetura em Bordéus, no final dos anos 1970. Segundo a NPR, Anne Lacaton visitou mais tarde Jean-Philippe Vassal no Níger (Vassal trabalhava na área do planeamento urbano na região da África Ocidental) e os dois começaram a desenhar e desenvolver projetos simples, que refletiam já um compromisso com a sustentabilidade na reformulação e extensão de edifícios.

Sem a vontade megalómana de destruírem edifícios antigos e todo um conjunto de áreas — sobretudo, residenciais — para implementarem de raiz uma visão arquitetónica inteiramente nova para os seus espaços de intervenção, menos conhecidos pela extravagância dos seus projetos do que outros arquitetos, aplicaram ao longo dos anos um conjunto de ideias que lhes servem de guias, segundo a estação pública norte-americana: “nunca demolir, nunca remover, nunca substituir; sempre acrescentar, transformar e reutilizar”.

As alterações precisas e económicas a complexos de habitação social em França, onde residem as classes mais baixas da população, tornaram-nos especialmente distintos no panorama arquitetónico. Mas também os trabalhos de reestruturação da Escola de Arquitetura de Nantes, da sala de espectáculos Polyvalent em Lille, do portentoso centro de exposições de Dunquerque (um velho armazém que ao invés de ser demolido, foi duplicado e reconvertido) e da Universidade das Artes e Ciências humanas de Grenoble figuram no currículo do duo.

A ideia passou quase sempre pela melhoria dos espaços, prédios e habitações, mais do que pela demolição, reestruturação compelta ou construção de raiz em outras áreas urbanas — o que implicaria, no caso dos complexos residenciais, a retirada dos residentes das suas zonas de habitação.

Um dos projetos recentes que os notabilizou foi o trabalho, em 2017, de reconstrução de um complexo de habitação social em Bordéus. Depois de terem ouvido os moradores, que vincavam não querer mudar-se e lhes diziam desejar sobretudo viver em casas maiores, Lacaton e Vassal gizaram com os arquitetos Frédéric Druot e Christophe Hutin uma solução engenhosa: o crescimento dessas unidades residenciais em espaços e anexos exteriores que funcionavam como terraços e quintais que poderiam ser utilizados de inverno (por estarem protegidos de chuva e não estarem a céu aberto).

Citado pela NPR, a professora de arquitetura da universidade de Columbia, Mabel O. Wilson, traduzia: tratou-se, nessa intervenção, da criação de espaços “onde as pessoas podem apanhar luz e sol e passar tempo com a família mas que também estão abertos aos vizinhos”, reforçando as teias comunitárias.

Numa palestra dada em 2017, Anne Lacaton resumia os princípios de trabalho que tem procurado respeitar: “Os edifícios são muito bonitos quando as pessoas se sentem bem neless. Quando a luz no interior é muito bonita e o ar é agradável. Quando a permuta com o exterior [e o ar livre] parece fácil e gentil”. Já Jean-Philippe Vassal, também presente, notava: “Há muita violência na arquitetura e no urbanismo. Tentamos ser precisos. Tentamos trabalhar com bondade“.

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