Israel revogou este domingo a autorização especial de viajem ao ministro dos Negócios Estrangeiros palestiniano, Riad al Malki, após o seu regresso à Cisjordânia ocupada depois da reunião em Haia com o procurador do Tribunal Penal Internacional (TPI).

De acordo com a agência noticiosa oficial palestiniana Wafa, o cancelamento desta autorização especial, que lhe permitia circular com maior facilidade na Cisjordânia, Israel e Jordânia, ocorreu após a sua reunião com a procuradora Fatou Bensouda no âmbito da investigação do TPI por alegados crimes de guerra de Israel e de grupos armados palestinianos desde 2014.

A delegação de Al Malki também foi interrogada por oficias da segurança israelita antes de entrar em território cisjordano através da ponte de Allenby, uma passagem fronteiriça com a Jordânia.

Apesar de as autoridades israelitas terem evitado pronunciar-se, esta decisão está a ser interpretada como uma represália contra o ministro palestiniano pelo seu envolvimento na investigação, firmemente rejeitada por Israel por recear que seja concluída com a emissão de mandados de detenção internacionais contra altos responsáveis militares e políticos do Estado judaico.

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Ahmed al Deek, membro da delegação palestiniana que se reuniu com Bensouda na passada quinta-feira para cooperar na investigação, referiu hoje à agência Wafa que a decisão de revogar a autorização especial de Al Malki “confirma uma vez mais que Israel é um Estado desonesto e vingativo, que não resolve as questões através da lei, mas antes recorre a políticas de intimidação, sanções e ameaças”.

A procuradora de justiça criminal internacional, que abandona o cargo em junho, formalizou no início de março o início das investigações para determinar a prática de crimes de guerra desde 13 de junho de 2014 nos territórios palestinianos ocupados da Cisjordânia, Jerusalém Leste e na Faixa de Gaza, neste caso submetida desde 2007 a um bloqueio imposto por Israel.

Os acontecimentos que estão a ser analisados relacionam-se com a operação militar Margem Protetora em Gaza (2014), a Grande Marcha do Regresso na Faixa (2018) e a colonização israelita com o envio de população civil para colonatos construídos em território ocupado palestiniano.

O TPI também examinará o envio de lança-foguetes na direção de Israel pelo movimento islamita Hamas, que controla a Faixa de Gaza, e por outras milícias armadas ativas neste enclave palestiniano junto à costa do Mediterrâneo.