Poderá o uso de máscara estar a atrasar o desenvolvimento dos bebés, sobretudo os que frequentam creches e berçários? Para vários especialistas, ouvidos pelo Público, a resposta é sim – e já há quem defenda a adoção de máscaras transparentes como solução.

O jornal cita esta segunda-feira especialistas e representantes das áreas da educação e da psicologia que lançam o alerta: os bebés, que nascem com cerca de 25% do cérebro desenvolvido, e as crianças mais pequenas passam muitas horas com os cuidadores e professores, que usam máscara.

Ora é com esses adultos que os bebés e crianças deveriam aprender a ler os rostos e expressões faciais, assim como a aprender a articular palavras. Mas com a máscara, alertam os especialistas, é como se ficassem privados dessas informações, o que está a levar alguns bebés a ficar aquém dos marcos de desenvolvimento esperados para as suas idades. Por isso, a psicóloga do desenvolvimento Clementina Almeida, ouvida pelo jornal, dá uma sugestão: a adoção do uso de máscaras transparentes, para permitir que as crianças mais pequenas não percam o acesso a informação não verbal importante para o seu crescimento.

O uso de máscara em Portugal só é, neste momento, obrigatório a partir dos 10 anos, embora o ministério da Educação tenha indicado às escolas que disponibilizem máscaras comunitárias para os alunos do 1º ciclo (até ao 4º ano). Mas o problema aqui reside mesmo no uso dessa proteção por parte dos cuidadores e professores.

O Público cita ainda um estudo feito na China a propósito dos efeitos do SARS, em 2003 e 2004, que concluía que o uso de máscara trouxe “atrasos linguísticos, motores e nas competências sociais”. O estudo foi usado, há dias, numa carta aberta de profissionais da educação e da psicologia publicada pelo jornal francês Le Figaro e que aponta para uma “catástrofe anunciada” graças ao uso de máscara nestes contextos. Em Portugal, a Sociedade Portuguesa de Pediatria já tinha deixado alertas, garantindo que as máscaras não só atrasam o desenvolvimento como, se forem usadas por menores de dois anos, podem mesmo ser perigosas, graças ao risco de asfixia.

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