João Almeida perdeu o pódio da Volta à Catalunha na passada quarta-feira, na etapa rainha da prova e caindo para sétimo, mas não foi por isso que se mostrou desde logo desiludido com a própria prestação. “Foi mais um dia duro no escritório, de grandes montanhas e inclinações fortes, mas tive a equipa comigo. Fiquei satisfeito por ter chegado ao final com estes grandes corredores e, mesmo ficando atrasado nos últimos 400 metros, gostei da minha corrida”, disse o ciclista, que acabou em 13.º mas acompanhou o ritmo dos corredores da Ineos quase até ao final.

“Vou tentar manter um lugar no top 10, guardar a camisola da juventude e, se puder ganhar alguns lugares, irei fazê-lo”, acrescentou Almeida, que depois da etapa desta sexta-feira (onde Rúben Guerreiro foi segundo) manteve o sétimo lugar da geral, que continua a ser encabeçada pelo britânico Adam Yates, seguido pelos colegas Richie Porte e Geraint Thomas, e agarrou precisamente a liderança da camisola da juventude. Apesar de ter atacado no final, com o objetivo de ganhar alguns segundos aos homens da frente, o ciclista português não conseguiu conquistar tempo e manteve as distâncias para os principais rivais.

Kämna dá primeira vitória à Bora, Rúben Guerreiro acaba etapa em segundo e João Almeida mantém liderança na juventude

Este sábado, na penúltima etapa da Volta à Catalunha, os ciclistas cumpriam o percurso de 194 quilómetros entre Tarragona e Mataró. A irregularidade do circuito era o principal destaque do dia, com subidas e descidas constantes, mas a longa reta junto à meta era ideal para uma vitória ao sprint — e não deixava de ser benéfica para João Almeida, já que a etapa não terminava a subir.

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Numa etapa que incluiu a passagem pelo Circuito da Catalunha, o recinto que recebe o Grande Prémio de Fórmula 1 e de MotoGP da região, a vantagem do grupo dos fugitivos para o pelotão (onde estava o trio da Ineos e também o ciclista português da Deceuninck-Quick Step) começou a encurtar significativamente a 30 quilómetros do final. A cerca de 20 quilómetros da meta, Dmitrii Strakhov, da Gazprom-RusVelo, soltou-se dos restantes fugitivos e assumiu a liderança isolada da corrida, com os três atletas que o tinham acompanhado até então a regressarem ao pelotão.

Já depois de Strakhov ser alcançado, a Deceuninck, através de James Knox, iniciou a desintegração do pelotão a 1.500 metros do início da principal subida da etapa, o Alt El Collet. Nesta fase, sucederam-se alguns ataques sem grandes efeitos práticos mas com um impacto notório no ritmo da corrida. Rémi Cavagna, também da Deceuninck, ganhou uma vantagem interessante na altura da descida e acabou por abrir a porta a um alongamento do pelotão, já que as equipas tiveram dificuldades em reorganizarem-se em velocidade de pós-montanha.

Cavagna acabou por ser alcançado e, nesta fase, a equipa de João Almeida foi colocando em prática a tática evidente de ir lançando ataques esporádicos: depois de Knox e Cavagna, seguiu-se Josef Černý, enquanto que o ciclista português ia escalando pelo pelotão até chegar à cabeça do grupo. No sprint final e apesar de ter começado a acelerar muito de trás, o primeiro lugar caiu para o experiente Peter Sagan — que não ganhava desde o Giro, que alcançou a 115.ª vitória da carreira e que conquistou a segunda consecutiva da Bora. Daryl Impey, da Israel Start-Up Nation, foi segundo, enquanto que o terceiro lugar ficou para Juan Sebastián Molano, da Emirates.

João Almeida ficou no oitavo lugar e à frente do trio da Ineos mas não conseguiu ganhar qualquer segundo aos principais rivais, ainda que tenha novamente segurado a liderança da classificação da juventude, mantendo-se assim na sétima posição da classificação geral, que não sofreu alterações antes da derradeira etapa da Volta à Catalunha. Rúben Guerreiro terminou a prova em 21.º e está no 23.º lugar da geral.