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Assim que se percebeu que os casos de infeção por Covid-19 na cidade fronteiriça de Ruili, na China, somavam já os 84 casos, as autoridades chinesas apressaram-se a fechar a cidade e a confinar os seus 300 mil habitantes em casa. Equipas de rastreadores identificaram mais de 500 contactos em menos de dois dias e mais de um milhar de profissionais foram deslocados para fazer testagem em massa e vacinar. E os números não aumentaram mais, escreve o El Mundo.

Desde o dia 5 de fevereiro que a China não registava qualquer caso de infeção por Covid-19 e o último surto, assim considerado, tinha ocorrido a 31 de janeiro. As autoridades de saúde concluíram que este surto poderá ter tido origem na Birmânia, onde a 1 de fevereiro se registou um golpe de estado que levou à fuga de vários cidadãos para os países vizinhos. Não só o genoma do vírus o conclui, como entre os infetados estão vários nacionais da Birmânia.

Foi há cerca de uma semana que a Comissão Nacional de Saúde registou 32 casos de infeção, a carecer de cuidados médicos, aos quais se somam 52 outros que estão assintomáticos. Na China as infeções contam-se em separado conforme os sintomas. Feitas as contas são 84 os casos positivos em 300 mil habitantes, o que aparentemente parece um número baixo. Mas foi o suficiente para as autoridades fecharem a cidade e imporem o confinamento obrigatórios a todos os seus cidadãos.

De portas abertas só supermercados e farmácias. E só um membro da família pode sair de casa a cada três dias para comprar bens alimentares. Paralelamente, os rastreadores — responsáveis por perceber todos os contactos que um infetado teve — conseguiram em menos de dois dias encontrar mais de 500 contactos diretos com os casos positivos. Chegaram à cidade mais de 1800 profissionais para fazerem testes em massa e vacinar os residentes o mais depressa possível.

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As autoridades de saúde analisaram a origem do vírus dos casos detetados e acreditam que este surto veio da Birmânia, que faz fronteira com Ruili, que é, segundo o El Mundo, um local de passagem para a província de Yunnan. Na última quinta-feira a China decidiu mesmo encerrar a ponte de Jiegao, que liga a China e a Birmânia, e em que chegam a circular mil carros por dia. No local estiveram 4 mil operacionais da polícia.

A China tem todas as fronteiras fechadas há mais de um ano e, segundo o relato de uma italiana que vive em Pequim ao El Mundo, desde o verão que voltou quase à normalidade, com bares e discotecas abertas e obrigatoriedade de uso de máscaras apenas em espaços muito lotados, ou nos transportes públicos e centros comerciais. Só a circulação entre cidades tem limitações e os movimentos de cada um são controlados através de uma aplicação no telemóvel. No entanto, sempre que são detetados surtos, as cidades são imediatamente encerradas e aposta-se na testagem massiva e, agora, na vacinação.

Na Birmânia, desde o dia 1 de fevereiro, que se registam manifestações diárias e protestos para recuperar a democracia. Já morreram mais de 500 pessoas, e a maior parte são jovens. Muitos nacionais têm fugido para os países vizinhos.