O presidente da Bondalti, João de Mello, disse esta quarta-feira que o hidrogénio verde ainda não é competitivo relativamente ao que provém de combustíveis fósseis e que sem a redução dos custos da eletricidade, “não haverá sucesso na estratégia do hidrogénio”.

O hidrogénio verde ainda não é competitivo relativamente ao cinzento. […] Se o preço da energia não for competitivo, não haverá sucesso na estratégia do hidrogénio verde”, disse o também presidente executivo (CEO) da empresa de Estarreja pertencente ao Grupo José de Mello, que está a desenvolver um projeto de produção de hidrogénio, num investimento de 2,4 mil milhões de euros, selecionado pelo Estado português para candidatura a financiamento pela União Europeia.

João de Mello participava na conferência “O Hidrogénio nas Nossas Sociedades — Estabelecer pontes”, promovida no âmbito da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia (PPUE), para debater políticas e estratégias no sentido de desenvolver um mercado global de hidrogénio.

O responsável reiterou que a aposta no hidrogénio verde é um desafio com o qual a Bondalti está comprometida, porém, elencou os principais obstáculos ao sucesso da estratégia do hidrogénio, onde se inclui o preço da eletricidade.

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Estamos todos a competir, todos os países estão a competir [e] um preço competitivo da eletricidade é um fator chave”, considerou João de Mello.

O presidente da Bondalti referiu também a necessidade de incentivos ao desenvolvimento da tecnologia necessária para criar um mercado de hidrogénio. “Se queremos ser neutros em carvão até 2050, temos de ter a perceção de que será necessário um grande investimento“, apontou.

Por último, João de Mello sublinhou que tem de ser resolvida a questão dos produtos provenientes de carvão, de países com leis ambientais diferentes das da União Europeia, mas que são, no entanto, exportados para a UE.