Um importante navio iraniano que estava há vários anos no Mar Vermelho e que se acredita que possa ser uma base dos Guardas da Revolução foi alvo de um ataque que causou alguns estragos, confirmou esta quarta-feira o governo do Irão, que suspeita do envolvimento de Israel.

De acordo com a Associated Press, que cita Saeed Khatibzadeh, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraninano, o navio MV Saviz foi atingido na terça-feira e o ataque causou alguns “danos menores” e não há registo de quaisquer vítimas.

As autoridades iranianas anunciaram entretanto uma investigação ao caso, contudo as suspeitas recaem sob Israel, sobretudo depois de o The New York Times, citando fonte oficial norte-americana sob anonimato, ter noticiado que as autoridades israelitas avisaram Washington quanto a um plano para atacar um navio iraniano. Israel ainda não se pronunciou sobre o caso.

Teerão garante que o MV Saviz, cuja presença no Mar Vermelho data de 2016, tem como finalidade combater a pirataria naquela região, particularmente no estreito de Bab el-Mandeb. No entanto, a Arábia Saudita e alguns países ocidentais acusam o Irão de usar aquele navio como base para os Guardas da Revolução e para fornecer armas aos rebeldes Houthi no Iémen, palco de uma guerra por procuração entre Teerão e Riad.

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Além disso, com base em informações militares sauditas,a Associated Press afirma que, no interior do MV Saviz, foram vistas pessoas com fardas militares, tendo sido ainda registadas incursões de pequenas embarcações provenientes do navio com destino à costa do Iémen, o que dá força à tese de que o navio seria usado para fornecer armas para os Houthi, apoiados por Terrão na guerra iemenita.

Nas últimas semanas, Irão e Israel têm-se acusado mutuamente de perpetrar ataques contra cargueiros, apesar de nenhum dos lados assumir a responsabilidade. A tensão entre os dois países subiu depois de Joe Biden ter tomado posse como Presidente dos Estados Unidos, em janeiro, com o Estado hebraico a tentar demover Washington de retomar o acordo nuclear com Teerão.

O ataque ao MV Saviz, aliás, aconteceu no mesmo dia em que começaram as negociações entre Irão, China, França, Reino Unido, Rússia e Alemanha em Viena, na Áustria, para tentar salvar o acordo assinado em 2015. Os Estados Unidos não marcaram presença no encontro, no entanto, o rumo das negociações em Viena é fundamental para que Washington possa regressar ao acordo que rasgou unilateralmente em 2018, durante a presidência de Donald Trump.

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No final da reunião de terça-feira, o Presidente iraniano, Hassan Rouhani, disse que as conversações foram um “sucesso”, enquanto o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, voltou a insistir que qualquer acordo nuclear com o Irão é “uma ameaça existencial a Israel e uma grande ameaça para a segurança de todo o mundo”.