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A equipa do FC Porto tem evoluído ano após ano sobretudo desde que Magnus Andersson assumiu o comando dos dragões, a Seleção tem evoluído ano após ano sobretudo desde que Paulo Pereira assumiu o comando do conjunto nacional. Com pouco tempo de preparação entre um calendário cada vez mais denso (os azuis e brancos levam 37 jogos desde agosto tendo pelo meio as paragens para o Mundial e para o torneio pré-olímpico), e também pelos mais de dez jogadores comuns às duas formações, o trabalho feito vai sendo aproveitado por ambos, com os resultados conhecidos no plano coletivo. Depois, há a vertente individual. Em especial, Iturriza. 

Foi bom mas ainda pode ser melhor: FC Porto vence Aalborg e parte em vantagem nos oitavos da Champions

O luso-cubano de 30 anos, que chegou a Portugal via Avanca e rumou ao FC Porto em 2016, é cada vez mais um jogador completo. A atacar, sozinho ou em 7×6, a defender, numa zona mais central ou lateral. Ganhou cultura tática, ganhou eficácia, ganhou peso no coletivo. Com isso, ganhou também mais protagonismo internacional, que foi bem visível após a primeira mão dos oitavos da Champions no Dragão Arena frente ao Aalborg. Tanto que a própria Federação Europeia de Andebol acabou por cometer um erro involuntário… ou uma inconfidência.

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Melhor marcador no encontro com os dinamarqueses com um total de oito golos, o pivô foi destacado nas redes sociais da competição com a “notícia” de uma possível saída no final da temporada para o Barcelona (onde iria encontrar outro português e da mesma posição, Luís Frade), algo que se tem falado nos últimos dias sobretudo pela confirmação da saída de Cédric Sorhaindo para o Dínamo de Bucareste. Confirmações oficiais até agora, nenhuma. Até porque o grande foco estava no desafio de fazer mais história na Liga dos Campeões, com uma vantagem de três golos da primeira mão que poderia valer uma histórica passagem aos quartos da prova.

“É muito bom levarmos três golos mas não quer dizer nada. Temos de estar muito bem na defesa, temos de continuar o trabalho que fizemos aqui [no Dragão] na primeira parte. Acho que estivemos muito bem no 6×6, temos de melhorar no 7×6 porque foi onde começámos a ter problemas. Se conseguirmos fazê-lo estará aí a chave do jogo. Sabemos que se queremos passar aos quartos de final temos de entrar em campo como uma equipa, a puxar uns pelos outros, e deixar sempre tudo lá dentro, porque os jogos são difíceis. Acreditamos que podemos ganhar esta eliminatória”, tinha destacado na antevisão o pivô luso-cubano dos azuis e brancos, sabendo por antecipação que os alemães do Flensburg-Handewitt tinham passado a eliminatória diante do PPD Zagreb devido aos vários casos de Covid-19 na formação croata e seriam o próximo adversário do vencedor.

Mais uma vez, Victor Iturriza foi um dos esteios da equipa, não só como melhor marcador (seis golos em oito jogos) mas na defesa à frente de um super Mitrevski com 12 defesas só na primeira parte que acabou com uma eficácia de 35%. No entanto, e perante um ataque muito irregular, acabou por ser insuficiente para evitar uma derrota inglória por três golos que valeu a passagem aos dinamarqueses pelos golos fora (27-24).

O encontro começou com um Nikola Mitrevski gigante na baliza, a fechar com um cadeado as redes azuis e brancas e a permitir que o FC Porto, mesmo não estando particularmente clarividente e eficaz no plano ofensivo, ganhasse três golos de vantagem até ao primeiro golo dos dinamarqueses aos 6.40 minutos, de sete metros, e com a particularidade da entrada em campo para tentar a defesa do reforço Márton Székely. Aos poucos, com um Felix Claar a melhorar na primeira linha, o Aalborg foi recuperando, chegou mesmo a passar para a frente mas os números assombrosos de Mitrevski continuavam a apresentar mais defesas do que golos do adversário, o que fez com que os dragões tivessem uma última vantagem de 9-8 depois de uma interceção de Fábio Magalhães na defesa após um livre de sete metros travado pelo macedónio (12 defesas em… 22 remates). Ainda assim, a equipa escandinava conseguiu ainda chegar ao intervalo com a vantagem mínima de um golo (10-9).

Era fácil perceber onde o FC Porto estava bem (na defesa, sobretudo com um muro na baliza), era fácil perceber onde o FC Porto teria de melhorar (no ataque). No entanto, tudo continuou na mesma: Mitrevski a ser quase intransponível, o Aalborg a atacar mal, os dragões a falharem muito nas ações ofensivas também com grande mérito de Simon Gade, outra parede na baliza e que marcou mesmo um golo de baliza a baliza. Os azuis e brancos saltaram de novo para a frente do marcador, desperdiçou várias oportunidades de alargar o seu avanço e a história seria mais uma vez escrita na eficácia do 7×6, com o Aalborg a avançar para essa solução a 17 minutos do final e o FC Porto a responder da mesma forma até oito minutos do final, altura em que Magnus Andersson voltou à fórmula inicial apenas com Salina como pivô mas os dinamarqueses acabaram mesmo por chegar aos três golos de vantagem antes de António Areia falhar o último ataque num remate de ponta.

Nos restantes encontros dos quartos, o Barcelona de Luís Frade, que goleou nos dois jogos frente ao Elverum da Noruega (37-25 e 39-19), vai defrontar o vencedor do encontro entre Motor e Meshkov Brest (32-30 no primeiro jogo); o PSG, que deverá ter passagem confirmada depois do triunfo na primeira mão por 37-24 com o Celje Pivovarna Laško, terá pela frente o Kiel (repetiu a vitória por 33-28 frente ao Pick Szeged); e o Veszprém, que goleou no primeiro jogo o Vardar por 41-27, deverá qualificar-se para defrontar o vencedor da eliminatória entre o Nantes de Alexandre Cavalcanti e o Kielce (25-24 para os polacos na primeira mão).