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Espanha está a ser atingida por uma onda de cancelamentos nas marcações para vacinação contra a Covid-19 por medo dos efeitos secundários que a solução da AstraZeneca possa ter. Antonio Zapatero, um dos conselheiros de saúde pública em Madrid, disse que dois terços das marcações foram canceladas na quinta-feira por receio de apanhar a vacina da AstraZeneca. Na semana anterior, a percentagem de cancelamentos não ultrapassava 3%.

Em Madrid, havia 29 mil agendamentos para vacinação contra a Covid-19 com recurso à vacina da farmacêutica britânica — cumprindo já com a medida que limita a vacina apenas aos mais velho —, mas só 10.800 pessoas compareceram. Ou seja, 63% das vacinações marcadas para a última quinta-feira ficaram por administrar, atrasando o processo de vacinação na região.

Foi assim em Madrid mas também no resto do país, embora em menor medida, indica o El País. Após questionar as várias regiões de saúde espanholas, também o El Mundo conferiu que o país está a atravessar um recuo no número de pessoas vacinadas pela primeira vez com a vacina da AstraZeneca. E não por causa das novas limitações em função da idade, mas porque quem é chamado não aparece para tomar a vacina.

Em Múrcia, por exemplo, onde 30% das pessoas chamadas para apanhar a vacina da AstraZeneca não terem comparecido, a percentagem de cancelamentos com a vacina da Pfizer foi metade disso. Uma fonte do governo de Múrcia confirmou que “há casos que não querem receber a vacina AstraZeneca após as informações e alterações no critério de vacinação  por este laboratório a nível nacional.

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É um fenómeno que surge depois da Agência Europeia do Medicamento ter dito que havia uma associação entre a vacina sueco-britânica e a formação de coágulos sanguíneos com baixo teor de plaquetas em circulação. A garantia da entidade reguladora de que os casos eram “muito raros”, quase todos tratáveis, e que tomar a vacina continua a ser mais seguro do que apanhar o vírus não bastaram para o evitar.

Antonio Zapatero culpa o “cortejo de confusões” criado pelo Governo central, que tem imposto mais restrições à vacinação com a AstraZeneca à luz das novidades vindas da Agência. A entidade continua a dizer que a vacina pode ser aplicada em qualquer faixa etária, mas vários países decidiram recomendar que não fosse dada aos mais jovens por ser neles que se verificaram mais eventos tromboembólicos.

No caso espanhol, após se ter suspendido a vacina e depois levantado a interrupção, as autoridades de saúde decidiram que a vacina da AstraZeneca só podia ser administrada a indivíduos com mais de 60 anos e menos de 66 — porque entendeu-se também que ela não tinha sido suficientemente estudada nos mais velhos para garantir a sua eficácia. Mais tarde, a diretiva mudou: ela podia ser dada a quem tivesse 60 a 69 anos.