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O presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, admitiu, em entrevista à TSF/JN, que agregar o CDS tem sido difícil, apesar de assegurar que não tem sido por falta de iniciativa. O líder democrata-cristão não avançou com o número dois a Lisboa, mas disse estar feliz com os nomes que vão liderar coligações e prometeu que fará uma avaliação pós-eleitoral, da qual tirará ilações.

Questionado sobre o objetivo que traçou inicialmente de agregar o CDS, Francisco Rodrigues dos Santos foi perentório: “Aí confesso que tem sido um objetivo mais difícil de atingir, pese embora não tenha sido por falta de iniciativa da minha presidência. Ao longo do último ano, tenho procurado manter a unidade e a coesão do partido. A verdade é que nem sempre tenho conseguido merecer esta reciprocidade por parte dos meus adversários políticos…”

O líder do CDS esclareceu que publicamente nunca teceu críticas a militantes do CDS, por entender que “o exemplo não é a melhor forma de influenciar os outros, é a única”. “Nós precisamos de continuar a ser uma fronteira para o extremismo, seja à Esquerda ou à Direita, apresentando uma voz ponderada, sensata e moderada, que vá ao encontro do eleitorado tradicional do centro-direita, um partido que defenda valores de forma intransigente. Não somos uma Direita fofinha nem simpática, mas também não somos uma espécie de Direita ultramontana, radical, carregada de preconceitos”, afirmou.

Certo de que fez um “esforço para que houvesse estabilidade, compromisso e paz interna”, Rodrigues dos Santos fez questão de recordar os convites “à lista do Filipe Lobo d”Ávila e do João Almeida na formação dos órgãos nacionais”. Contudo, disse que houve questões de ordem interna — que acredita que “se prendem mais com a matemática eleitoralista e com o jogo de poder puramente interno” — que criaram “cisões”.

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Apesar das quezílias internas, e questionado sobre se alguns dos adversários internos estão à espera de que obtenha um mau resultado nestas autárquicas, Rodrigues dos Santos não quer acreditar, mas também não afasta cenários para o pós-eleções. “As lideranças estão sempre sujeitas a resultados eleitorais. E eu reservarei uma avaliação desses resultados para o dia das eleições e depois tirarei as devidas ilações. Ninguém pode dizer que está colado ao lugar ou que tem mandatos perpétuos”, insistiu.

E se as autárquicas são o próximo objetivo, o líder do CDS também deixou recados internos: “Quero que fique muito claro: aquele tempo no CDS em que se discutiam pessoas em primeiro lugar em vez dos projetos políticos e das ideias acabou, pelo menos enquanto eu for presidente.”

Sobre João Gonçalves Pereira ser uma hipótese para a capital, não disse nada. Diz que primeiro está a ser definido um “plano para Lisboa” e que depois irão ser encontradas pessoas “que se enquadrem no espírito do projeto e com o perfil indicado para executá-lo”. Quem ainda não avançou, mas não perdeu oportunidade de deixar outra ressalva, ao assegurar que no CDS que lidera “não há lugares cativos”, “isto não é como no futebol e por isso a última palavra relativamente à escolha dos candidatos pertence à direção do partido”.

Ainda relativamente às autárquicas em Lisboa, Francisco Rodrigues dos Santos admitiu que esteve em cima da mesa a possibilidade de Assunção Cristas liderar a coligação de direita, tendo em conta o resultado eleitoral conseguido há quatro anos, mas “foi a própria Assunção Cristas a excluir-se da corrida e, por isso, a hipotecar a chance de o CDS poder encabeçar”.

Essa possibilidade chegou a ser colocada em cima da mesa. Inclusivamente, propus ao PSD que Assunção Cristas pudesse liderar uma coligação de centro-direita, mas sucede que foi a própria Assunção Cristas a excluir-se da corrida e, por isso, a hipotecar a chance de o CDS poder encabeçar.