O membro da direção do Chega Açores Fernando Mota criticou esta terça-feira o processo para as eleições na estrutura regional e pediu ao Conselho de Jurisdição Nacional do partido para impugnar o ato eleitoral marcado para 1 de maio.

Esse processo eleitoral está cheio de incongruências. Existem regras que têm de ser cumpridas e que não foram. Perante isso, eu não acredito que no dia 1 de maio haja as eleições”, declarou Fernando Mota à agência Lusa.

O dirigente criticou o presidente demissionário Carlos Furtado por ter “desrespeitado” os estatutos e o regulamento eleitoral do partido.

Estamos num país democrático e num partido democrático. Isso do ‘eu sou o partido e eu é que mando’ acabou em 1974. Temos uma direção e as coisas têm de ser decididas e expostas na direção”, assinalou.

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Na exposição que o dirigente enviou ao Conselho de Jurisdição Nacional do Chega, a que a agência Lusa teve acesso, lê-se que não existe “evidência oficial” da demissão do atual líder regional e recandidato Carlos Furtado.

“O presidente do partido Chega Açores, Carlos Furtado, diz que se demitiu sua presidência e que é novamente candidato à sua liderança, embora não exista evidência oficial do ato de demissão ou candidatura”, lê-se no documento.

Na exposição, Fernando Mota afirma que Carlos Furtado convocou no dia 1 de abril, via sms, uma reunião de direção para “esse mesmo dia”, o que vai contra os estatutos do partido.

A reunião ocorreu sem ordem de trabalhos e foi decidida a convocação de ato eleitoral de presidente do Chega Açores a ocorrer no dia 1 de maio 2021. Da reunião não existe ata, oficial ou oficiosamente, datada e assinada ou ratificada pelos participantes na mesma”, destaca o dirigente.

Na missiva enviada ao Conselho de Jurisdição, Fernando Mota realça que, da reunião da direção, “não existe evidência, oficial ou oficiosamente, de decisão da demissão do presidente do partido Chega Açores”.

O membro da direção regional acrescenta ainda que a “convocatória de atos eleitorais é feita obrigatoriamente no site oficial do partido Chega, com antecedência mínima de vinte dias sobre a data do ato eleitoral”.

“Coloca-se, à consideração, a interpelação do Conselho de Jurisdição Nacional do partido Chega, com ou sem conhecimento da sua fundamentação aos órgãos regionais do partido Chega Açores, impugnando todos os procedimentos”, lê-se na exposição.

E conclui: “impugna-se, a ocorrência de demissão do presidente do Chega Açores e bem assim impugna-se a convocatória de ato eleitoral para eleição de presidente do Chega Açores”.

Estas eleições surgem depois de, em 14 de março, ter sido tornado público que Furtado apresentara a sua demissão por causa de divergências com José Pacheco, secretário-geral e também deputado regional.

Em 3 de abril, o então candidato à liderança regional do Chega Açores, José Pacheco, disse desconhecer a data avançada para as eleições internas na estrutura regional, levando Carlos Furtado a criticar a deslealdade de Pacheco.

Em 6 de abril, José Pacheco revelou que não iria ser candidato à liderança da estrutura regional do partido, ao contrário do que tinha anunciado, por entender que tem o “dever” de “acabar” com as “divergências”.