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O duque morreu, viva o duque — mas o luto dos súbditos continua por fazer (e não falamos dos mais recentes desenvolvimentos na família real britânica). Até então semi desconhecido, Regé-Jean Page ascendeu a um nível de popularidade que o coloca hoje como um forte candidato a James Bond, ainda que pudesse ser apenas um rumor com assinatura de lady Whistledown na sua coluna social — a mesma que anunciou a sua triste despedida ao mundo.

Reconhecido pela Time como um dos rostos mais influentes de 2021, registou-se um autêntico colapso da internet quando foi anunciado que a personagem de Page na popular série da Netflix, Bridgerton, não transitaria para a segunda temporada — e os ecos da decisão que afetam um dos maiores sucessos de sempre da plataforma de streaming continuam a escutar-se algumas semanas depois.

Em entrevista à Vanity Fair, a produtora executiva Shonda Rimes admite ter sido apanhada desprevenida face às ruidosas reações. “Fiquei mesmo chocada, porque normalmente isto acontece quando mato alguém que faz parte da série há muito tempo. Nós nem o matámos, ele continua vivo!”, desabafou Rimes, descrevendo Page como “um ator incrível e poderoso, e que é a prova de que fizemos o nosso trabalho, que é encontrar a pessoa certa e levar por diante este transformador romance”.

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Há quase 20 anos parceira de Betsy Beers nestas aventuras televisivas, a dupla dá uma entrevista exclusiva na semana em que a segunda temporada da saga, que tem o começo do século XIX como cenário, começa a ser filmada no Reino Unido. Também esta semana, o criador Chris Van Dusen revelou no Twitter que a Netflix renovou Bridgerton para as terceira e quarta temporadas, com Bela Bajaria, chefe global da plataforma a assumir que é sua intenção “estar no negócio de Bridgerton por muito tempo”, sem deixar margem de duvidas sobre o sucesso deste título inspirado nos livros de Julia Quinn, e cuja versão televisiva se estreou a 25 de dezembro de 2020.

Não é a primeira vez que a produtora e guionista enfrenta a surpresa e indignação dos fãs mais empedernidos, sendo a personagem “Simon Bassett”,  também conhecida como o duque de Hastings, apenas o caso mais fresco. As ondas de choque assumiram idênticas proporções, ou até superiores, quando Patrick Dempsey (na pele de Derek Shepherd, ou Dr Mc Dreamy), teve a morte como desfecho na série Anatomia de Grey.

Quanto à participação de Regé-Jean Page, Rhimes garante que a sua saída no final da primeira temporada — marcada pela relação com Daphne Bridgerton, a personagem desempenhada por Phoebe Dynevor — era esperada desde o início do projeto: “Era esse o plano: vens e fazes uma temporada como duque”, propôs ao ator, sendo que a Vanity Fair adiantou que a produtora terá também proposto que fizesse algumas breves aparições na fornada de episódios seguinte, junto com outras personagens iniciais. Entretanto, o Page Six avançara que Page teria abandonado o projeto por “divergências criativas” com Shonda Rhimes, “descontente com o que se preparava para a sua personagem na segunda temporada”.

O cenário “histórico”, o romance forçado e o herói sensualão: eis a receita do sucesso de “Bridgerton”

Já a The Hollywood Reporter avançou que Page recusara uma proposta para regressar pontualmente como ator convidado (com um cachê de 50 mil dólares por episódio) “por várias razões”, que incluíam “a consciência de que Simon não estaria no centro da ação naquela temporada”.

O irmão que se segue

Regressando ao essencial, o conteúdo do que aí vem, e a avaliar pelas palavras de quem decide o destino de cada elemento, os fãs podem ficar descansados sobre o foco nos protagonistas que se seguem. “O conceito é que em cada temporada haja um par romântico, e é por esse par escaldante que é suposto nos apaixonarmos, certo? Existem oito Brigderton. Portanto quando chegarmos à vez da pequena Hyacinth — claro que ela nessa altura já estará crescida, não vamos emparelhar uma criança! — também verão a sua história”, descreve Rhimes, deixando antever que muitas mais temporadas deverão ver a luz do dia. Quanto à que vem imediatamente a seguir à de estreia, centrar-se-á no lorde Anthony Bridgerton (interpretado por Jonathan Bailey).

No começo de abril, a Netflix anunciou o reforço do elenco com quatro nomes, os mesmos que darão vida àquela que se prevê ser a adaptação de “The Viscount Who Loved Me”, o segundo volume da saga assinada por Julia Quinn. O enredo envolve o irmão mais velho de Daphne (em busca da noiva ideal) e uma jovem mulher chamada Kate, num papel a cargo de Simone Ashley (Sex Education, Because the Night), para mais um derrube de qualquer barreira racial na alta sociedade da época — acabada de chegar a Londres, as origens indianas saltam à vista em Kate.

A Netflix ainda não apontou data de estreia mas há quem aposte que o presente chegue de novo no dia de Natal.