Mudou aos cinco, acabou aos sete, podiam ter sido mais de dez. Logo na primeira oportunidade para garantir o apuramento para a nona fase final consecutiva do Campeonato da Europa de futsal, Portugal não falhou e selou essa qualificação com uma goleada frente à Noruega por claros 7-1 no Seixal. Esta quarta-feira, no mesmo local e com as mesmas equipas, ficava fechado o grupo 8 mas o facto de estar tudo resolvido não fazia com que fosse um jogo para cumprir calendário, com o selecionador Jorge Braz a enunciar “vários objetivos a conseguir”.

Portugal goleia Noruega e confirma apuramento para nona fase final consecutiva do Europeu

“Primeiro, a responsabilidade de jogar pela Seleção; depois, este é um jogo de qualificação que conta para o ranking e podemos consolidar o primeiro lugar em termos pontuais. Queremos mesmo ser os melhores do grupo – já ficámos em primeiro, temos a melhor diferença de golos, mas ainda podemos melhorar isso. Para além de ser mais uma oportunidade competitiva para estes jogadores, para se consolidarem aqui,. Todos estes momentos são importantes para crescermos e para melhorarmos, para reforçarmos ainda mais a nossa identidade como equipa. Por isso, este não é um jogo para cumprir calendário, está a ser preparado exatamente da mesma maneira que foi preparado o jogo de ontem [segunda-feira]”, destacou o técnico aos meios da Federação.

E com o Campeonato do Mundo a menos de cinco meses de distância (12 de setembro a 3 de outubro, com uma organização da Lituânia), Jorge Braz aproveitava para lançar mais dois jovens da equipa principal de Portugal, Silvestre Ferreira (Benfica) e Tomás Paçó (Sporting), depois das apostas recentes em Zicky Té ou Afonso Jesus num total de 37 jogadores que foram lançados pelo selecionador. Mais uma vez, Portugal goleou por 4-0 num encontro que poderia ter outros números em termos ofensivos e reforçou o primeiro lugar no grupo.

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Bastou apenas um minuto para mostrar que a mensagem tinha passado, depois de uma bola no poste de Fábio Cecílio que bateu no poste (30 segundos) e o golo inaugural do capitão João Matos, a desviar ao segundo poste de cabeça uma assistência de Tiago Brito. Portugal entrava em 4:0 a dominar e assim continuou mesmo em 3:1, com André Galvão e Zicky Té a passarem pela quadra na posição de pivô. Nem sempre a exibição foi a melhor mas, em ataque organizado ou esquemas táticos, o conjunto de Jorge Braz foi construindo de forma natural a vitória com Fábio Cecílio a fazer o 2-0 numa bola parada (9′) e a bisar num desvio após remate de Bruno Coelho (15′).

No segundo tempo, de novo com uma eficácia de remate mais baixa do que no primeiro à semelhança do que já tinha acontecido na segunda-feira, o grande momento surgiu mesmo no 4-0 com Silvestre a ter uma estreia para mais tarde recordar com um golo após assistência de Pauleta (23′). Portugal fechou assim a qualificação com 14 pontos, fruto de quatro vitórias e dois empates com o melhor ataque (24 golos marcados) e a defesa menos batida (sete golos consentidos), terminando o grupo 8 de qualificação no primeiro lugar.

Já foram apuradas 15 das 16 seleções que marcarão presença no Campeonato da Europa de 2022, entre 19 de janeiro e 6 de fevereiro nas cidades holandesas de Amesterdão e Groningen: Países Baixos, o conjunto anfitrião; Croácia, Rússia, Azerbaijão, Bósnia, Cazaquistão, Espanha, Itália e Portugal como vencedores dos respetivos grupos; e Ucrânia, Geórgia, Eslováquia, Eslovénia, Finlândia e Polónia (que estava no grupo de Portugal e que ganhou esta quarta-feira à Rep. Checa por 8-5) como os seis melhores segundos classificados. Em novembro haverá ainda o playoff final de apuramento a duas mãos entre Bielorrússia e Sérvia.

De recordar que esta será a primeira fase final em que Portugal vai tentar defender o título de campeão conseguido na última edição. Além da vitória por 3-2 em 2018 frente à Espanha (seleção com mais títulos europeus conseguidos, sete: 1996, 2001, 2005, 2007, 2010, 2012 e 2016), Portugal tem ainda no seu currículo uma final perdida com a Espanha em 2010 (2-4) e dois quartos lugares, em 2007 (Rússia, 2-3) e em 2014 (Espanha, 4-8). Além de Espanha e Portugal, já foram também campeões europeus a Rússia (1999) e a Itália (2003 e 2014).

Foi igual ao Europeu de futebol. Igual, igual. Mas com um Éder ainda mais herói (a crónica do Europeu de futsal)