Depois da inesperada (e frustrante) eliminação da Liga dos Campeões com nove pontos (três vitórias e outras tantas derrotas), o Manchester United entrou como líder indiscutível na Liga Europa para o supercomputador do portal fivethirtyeight.com. Ou seja, e analisando todos os dados de uma fórmula previamente desenhada pelos analistas, o conjunto inglês partia na fase a eliminar com uma percentagem de 11% de hipóteses de ganhar a competição e com a particularidade de começar por defrontar a segunda equipa que na teoria teria uma maior probabilidade de triunfo, a Real Sociedad (8%). Uma goleada logo a abrir arrumou com essa questão, seguindo-se o AC Milan, que estava também no topo das apostas – e entre mais dificuldades, mais uma fase ultrapassada.

Num jogo à porta fechada que teve um intruso em campo, a grande invasão acabou por ser aquele passe de Lindelöf

As probabilidades não iam somando, multiplicavam-se. E com o triunfo por 2-0 em Espanha frente ao Granada, com mais um golo de Bruno Fernandes, o Manchester United passou a ter mais de 99% de hipóteses de passar às meias-finais da competição. Mais do que isso, as possibilidades de chegar à final aumentaram para 67%, com os 11% de triunfo final no início da fase a eliminar a estarem já nos 43% (se tiver interesse, pode consultar aqui todos os quadros das previsões do supercomputador). Depois da frustração da última temporada, com a derrota diante do Sevilha na antecâmara do encontro decisivo realizado na Alemanha, era nesta competição que os red devils apostavam tudo para voltarem aos troféus e todos os pormenores foram literalmente levados em conta, com uma mudança visível nas bancadas de Old Trafford a pedido dos próprios jogadores dos ingleses.

“Vão notar uma diferença, vão ver que as tarjas à volta do estádio já não são vermelhas. Tivemos de olhar para isto. Alguns jogadores mencionaram que, em algumas decisões no espaço de um segundo, têm de olhar por cima do ombro para ver se o colega está lá ou não e depois a camisola vermelha está num fundo vermelho com bancos vermelhos. E isto era um problema”, anunciou Ole Gunnar Solskjaer na antecâmara da receção aos espanhóis do Granada, onde jogava com uma vantagem que permitia alguma rotatividade na equipa numa das melhores fases da temporada que, em caso de novo triunfo, iria igualar a maior série de vitórias seguidas.

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E isso era o grande desafio do treinador norueguês: mesmo partindo com uma eliminatória quase resolvida, o Manchester United queria dar continuidade ao momento e sobretudo à última exibição em Londres frente ao Tottenham, uma das mais conseguidas da temporada pela forma como a equipa conseguiu reagir a um golo anulado e à desvantagem para uma segunda parte que permitiu a reviravolta e a consolidação do segundo lugar da Premier League a 11 pontos do rival City com menos um jogo apenas por disputar a sete rondas do final.

O encontro não foi propriamente o mais interessante da época mas, à semelhança do que já tinha acontecido em Espanha, o Manchester United foi quase sempre superior ao Granada e repetiu os números da vitória (2-0) na primeira mão com várias poupanças pelo meio a pensar no jogo de domingo frente ao Burnley. Em paralelo, coincidência ou não, conseguiu ganhar pela primeira vez na Liga Europa (e sem sofrer golos) com as tais alterações nas bancadas, depois dos empates a um golo diante de Real Sociedad e AC Milan.

Sem os castigados Maguire e Luke Shaw e o lesionado McTominay, Solskjaer optou por deixar apenas no banco Marcus Rashford em relação aos habituais titulares (e noutros jogos da Liga Europa tinha rodado muitos mais jogadores) e também não demorou a ver a eliminatória ficar ainda mais fechada, com Cavani a mostrar que continua de pé quente numa jogada iniciada por Alex Telles com assistência de cabeça de Paul Pogba e remate de primeira do uruguaio de pé esquerdo para o golo que reforçou a vantagem dos ingleses e que fez a diferença até ao intervalo (6′), entre mais oportunidades como um outro remate de primeira de Bruno Fernandes que passou por cima e dois lances de bola parada do Granada que passaram ao lado da baliza de David de Gea. No segundo tempo, o encontro teve poucos motivos de interesse e a vantagem mínima prolongou-se até aos minutos finais, altura em que Jesús Vallejo desviou para a própria baliza um cruzamento de Alex Telles (90′).