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Depois de durante 11 dias terem passado pelo tribunal as testemunhas da acusação, esta terça-feira chegou a vez de arrancar a defesa de Derek Chauvin, o ex-agente da Polícia de Minneapolis acusado do homicídio de George Floyd.

Scott Creighton, polícia agora reformado, da mesma cidade, foi o primeiro a subir ao banco das testemunhas — e não o fez sozinho: a acompanhá-lo foram exibidas em tribunal as imagens captadas em maio de 2019, um ano antes da morte do afro-americano, da detenção então feita por Creighton ao mesmo Floyd.

Com a advertência ao júri de que o vídeo tinha sido admitido como prova apenas “com o objetivo limitado de demonstrar o efeito que o consumo de opióides pode, ou não, ter tido no bem-estar físico de George Floyd”, não podendo por isso ser utilizado como “prova de carácter” do falecido, o juiz Peter Cahill permitiu que algumas imagens desta anterior detenção de Floyd, morto a 25 de maio de 2020, fossem mostradas em tribunal.

Questionado sobre elas, e sobre os factos ocorridos a 6 de maio de 2019, o ex-agente Scott Creighton descreveu um George Floyd nervoso e ansioso. “O passageiro estava pouco reativo e não cumpriu as minhas ordens”, recordou. “A certa altura tive de me aproximar dele, porque queria ver-lhe as mãos”, descreveu, a consubstanciar as imagens que mostram um George Floyd visivelmente alterado, sob o efeito de drogas, como a polícia viria a confirmar depois, e a implorar aos agentes que não disparassem.

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Já no contra-interrogatório, Creighton limitou-se a responder com um monossílabo à pergunta colocada pela defesa, que fez questão de salientar o resultado diferente perante o mesmo ponto de partida: “O senhor Floyd não morreu durante essa sua interação com ele, pois não?”. “Não.”

Depois de vários elementos da polícia de Minneapolis — incluindo o seu chefe, Medaria Arradondo — terem assegurado nas últimas semanas em tribunal que a forma como Derek Chauvin manietou e prendeu George Floyd ao chão, com o joelho a pressionar-lhe o pescoço, não fazia parte do treino ou das regras da corporação, a defesa do agente entretanto exonerado empenhou-se também em demonstrar o contrário.

Barry Brodd, ex-agente da polícia de Santa Rosa, na Califórnia, e consultor privado especializado em práticas de uso da força, foi uma das testemunhas ouvidas neste sentido. “As interações do agente Chauvin com o senhor Floyd foram feitas de acordo com o treino, seguindo as práticas atuais e foram objetivamente razoáveis”, garantiu perante os jurados.