O Plano Regional para a Integração de Pessoas em Situação de Sem-Abrigo (PRIPSSA), na Madeira, foi afetado pela pandemia de Covid-19, indicaram esta quinta-feira dirigentes de duas instituições particulares, referindo que houve um aumento do número de utentes em 2020.

“O plano estava a funcionar bem. Tínhamos conseguido reunir, finalmente, várias instituições e estávamos a trabalhar em rede, mas surgiu a pandemia e nós vimos, de um momento para o outro, quase todo o nosso trabalho cair por água abaixo”, disse Sílvia Ferreira, coordenadora do Centro de Apoio ao Sem-Abrigo (CASA), em audição no parlamento regional.

Por outro lado, Roberto Aguiar, diretor técnico da Associação Protetora dos Pobres, referiu que houve um aumento no número de utentes apoiados pela instituição em 2020, que passou de 470 para cerca de 700.

O responsável considerou, no entanto, que o PRIPSSA, criado pelo Governo Regional da Madeira para o período 2018-2022, tem “muitas vantagens”.

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“A nossa opinião é que trabalhar em parceria é fundamental, mas não é de todo um mar de rosas”, disse, realçando: “Há muitas dificuldades, porque as instituições têm objetivos, missões e filosofias de intervenção diferentes. Conciliar e modelar atividades comuns é muito complicado. Mas tem sido possível”, frisou Roberto Aguiar.

Sílvia Ferreira e Roberto Aguiar falavam na Comissão de Saúde e Assuntos Sociais, no âmbito de uma audição requerida pelo PCP sobre as implicações concretas e eficácia do Plano Regional para a Integração de Pessoas em Situação de Sem-Abrigo (2018-2022), face à pandemia de Covid-19.

O PRIPSSA agrupa 21 instituições públicas e privadas, sob coordenação do Instituto de Segurança Social, e estabeleceu 58 medidas no âmbito da inclusão das pessoas em situação sem-abrigo.

“Com os sucessivos confinamentos [ao longo de 2020] perdeu-se um pouco o acompanhamento que deveria ter sido dado”, afirmou Sílvia Ferreira, indicando que o CASA prestava apoio a 585 famílias carenciadas, mas registou um aumento dos pedidos de ajuda na ordem dos 30%.

Por outro lado, o número de pessoas em situação de sem-abrigo apoiadas pela instituição passou de 96 para 121, ao passo que a receção de bens alimentares baixou na sequência do encerramento dos hotéis na região.

Na Associação Protetora dos Pobres, cerca de 20% dos utentes são pessoas em situação de sem-abrigo.

De acordo com os dados mais recentes da Direção Regional de Saúde, o arquipélago da Madeira, com cerca de 260 mil habitantes, regista 314 casos ativos de Covid-19, num total de 8.667 confirmados desde o início da pandemia, e 71 óbitos associados à doença.