Um total de 18.661 pessoas, quase metade crianças, fugiram de Palma na sequência de um ataque à vila em 24 de março, anunciou a Organização Internacional das Migrações (OIM) no seu mais recente relatório.

Segundo o documento, do total de deslocados, 43% são crianças e 31% mulheres, pessoas que chegaram desde 24 de março aos distritos de Nangade, Mueda, Montepuez e Pemba.

Centenas de deslocados do distrito de Palma continuam a chegar diariamente a pé, de ónibus [autocarro], de barco e de avião nos distritos de Nangade, Mueda, Montepuez e Pemba. Isto leva-nos a pensar que ainda há um número significativo de pessoas deslocadas na floresta, caminhando para áreas mais seguras”, referiu o relatório da OIM.

O documento acrescenta que há também dezenas de pessoas que continuam a procurar locais seguros dentro de Palma, com destaque para Quitunda e Afungi, em redor do projeto para exploração de gás liderado pela Total. A organização está preocupada com possíveis casos de cólera nestes pontos, alertando que desde 15 de março as autoridades locais, em pelo menos cinco distritos da província, registaram 3.141 casos e 16 mortes.

ONU preocupada com ataques em Moçambique e pede proteção das autoridades para vítimas

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A vila de Palma, a cerca de seis quilómetros do projeto de gás natural da multinacional Total, sofreu um ataque armado em 24 de março, que as autoridades moçambicanas dizem ter resultado na morte de dezenas de pessoas, destruição de várias infraestruturas e na fuga de centenas.

A violência em distritos mais a norte da província de Cabo Delgado começou há três anos e está a provocar uma crise humanitária com quase 700 mil deslocados, segundo agências da Organização das Nações Unidas (ONU), e mais de duas mil mortes, segundo uma contabilidade feita pela Lusa.